Projeto Guaporé

Início: 07/2004    Término: em andamento

 


Objetivo e Justificativas

 

Levantar as informações geológicas em escala compatível com as demandas da sociedade como um todo e mais especificamente do setor mineral, além de auxiliar no planejamento estadual e municipal e definir o potencial mineral da região. A atualização do conhecimento geológico a nível regional da Província Mineral do Guaporé servirá de suporte para a realização dos levantamentos de outros temas, como solos, geomorfologia e recursos hídricos. O detalhamento dos levantamentos geológicos contribuirá sobremaneira para a elaboração do planejamento territorial, utilização do subsolo e ocupação do solo, inclusive na zona fronteiriça Brasil-Bolívia.

 

A Província Mineral do Guaporé está inserida no contexto geológico que apresenta substrato rochoso constituído dominantemente por uma sequência sedimentar terrígeno-química, intrudida por rochas máficas toleiíticas e ultramáficas, além de granitoides do tipo A. Esses litotipos foram fortemente deformados durante evento tectônico de idade aproximadamente 1.3 Ga, o qual imprimiu uma estruturação gerada por uma tectônica transpressiva, desenvolvida sob condições metamórficas da fácies anfibolito superior, com fusões localizadas gerando granitos S.

 

Vários garimpos de ouro foram ativos em décadas passadas, além de prospecção e cubagem de depósitos, executados por empresas de mineração. As principais ocorrências de ouro estão associadas a veios de quartzo em zonas de cisalhamento, como ouro livre e/ou associados a sulfetos. Ocorrências de minerais do grupo da platina e sulfetos de cobre-níquel estão associados às rochas máfico/ultramáficas de ampla distribuição na referida província, além de gossans níquelíferos de ocorrência restrita. Esses corpos máfico/ultramáficos são ainda desconhecidos geologicamente, tanto a nível cartográfico como geoquímico. Adicionalmente ocorre uma ampla cobertura sedimentar cenozoica dominada por lateritos e materiais de origem aluvionar distribuída por toda a planície do Rio Guaporé e que também não se encontra devidamente cartografada e muito menos se sabe do seu potencial metalogenético. Além disso, existem ocorrências de diamante em depósitos aluvionares e corpos de kimberlitos ainda não cadastrados, sendo atualmente alvo de prospecção de empresas mineradoras como BHP, RTZ, Santa Elina e outras.

 

O nível de conhecimento geológico e metalogenético desta região é insuficiente para atrair investimentos do setor mineral; portanto, surge a necessidade de se definir modelos geotectônico-metalogenéticos em bases sólidas, além de observância dos eixos de desenvolvimento e exportação desta importante região do país.

 


Localização e Acesso

 

A Província Mineral do Guaporé estende-se desde a porção meridional do estado de Rondônia até o sudoeste do estado do Mato Grosso. As folhas Vilhena (SD-20-X-B) e Pimenteiras (SD-20-X-D) são limitadas por um polígono regular que abrange os municípios de Vilhena, Pimenta Bueno, Colorado d’Oeste, Cabixi, Cerejeiras, Corumbiara, Chupinguaia e Pimenteiras, em Rondônia, e parte do Município de Comodoro, no Mato Grosso.

 

O acesso ao bloco oriental é relativamente simples e pode ser realizado através da rodovia BR-364 e por rodovias estaduais e municipais, além dos rios principais que cortam transversalmente a área de estudo. A área pode ser visualizada na Figura 1.


Província Mineral do Guaporé


Geologia Regional

 

A Suíte Metamórfica Colorado, unidade litotectônica predominante no extremo sudeste de Rondônia, constitui-se de rochas polideformadas em condições metamórficas da fácies anfibolito superior representadas por: 1) metamonzogranitos porfiríticos associados a anfibolitos (magmatismo bimodal máfico e félsico); 2) intercalações de rochas metassedimentares clásticas, químicas (sillimanita xistos e formações ferríferas) com rochas máficas/ultramáficas e 3) muscovita-granada leucogranitos.

 

O magmatismo bimodal possui distribuição regional e está representado por anfibólio-biotita metamonzogranitos porfiríticos, que se mostram intrusivos nas rochas máficas transformadas em anfibolitos de granulação média a fina. A feição mais característica dessa associação é a migmatização que acompanhou o cisalhamento de alto ângulo, resultando em foliação milonítica sigmoidal e boudins de anfibolito.

 

Adicionalmente ocorre uma ampla cobertura sedimentar cenozoica dominada por lateritos colunares e concrecionários e por materiais de origem coluvio-aluvionares distribuídos por toda a planície do Rio Guaporé, os quais não se encontram devidamente cartografados e muito menos se sabe do seu potencial metalogenético. Além disso, existem ocorrências de diamante em depósitos aluvionares e corpos de kimberlitos ainda não cadastrados.

 


Metodologia

 

A metodologia a ser adotada compreende as seguintes etapas:

 

Mapeamento Geológico: o trabalho a ser realizado envolve a execução de perfis geológicos, em seções principalmente transversais à estruturação regional, na escala 1:250.000.

 

Análise de sensores remotos: consistirá na análise de todos os sensores disponíveis - como fotografias aéreas, imagens de radar e imagens de satélite -, que, interpretada conjuntamente com os dados dos mapas geológicos de trabalhos anteriores e em várias escalas, permitirá a elaboração de mapas preliminares de integração que nortearão a programação das atividades de campo.

 

Análises laboratoriais: está prevista a realização de análises petrográficas em número compatível com a amostragem e necessidade técnica, tendo em vista uma melhor caracterização das litologias da área estudada; assim como de análises mineralógicas de concentrados de bateia para definir a extensão das mineralizações de ouro, cassiterita e outros metais pesados. Também serão executadas análises geoquímicas e geocronológicas de rochas, as quais auxiliarão na caracterização e na interpretação geotectônica da área de estudo.

 

Elaboração dos mapas geológico preliminar e final: finalizadas as etapas de campo e de análises laboratoriais, será executada uma reinterpretação com a utilização de todos os sensores já empregados na fase inicial bem como do mapa geológico preliminar, para a compatibilização e uniformização de legendas, levando-se em consideração todas as informações obtidas em campo e laboratório. Logo após analisadas e consistidas, todas essas informações serão utilizadas na elaboração do mapa geológico final.

 

Prospecção geoquímica: concluída a elaboração dos mapas geológicos e de recursos minerais preliminares, será elaborada uma programação de amostragens geoquímicas de sedimentos de corrente e concentrados de bateia nas áreas com maior potencial metalogenético, como forma de melhor definir as assinaturas geoquímicas e avaliar com maior consistência essas áreas potenciais.

 

Elaboração do Relatório Final.

 


Resultados Esperados

 

Com a execução do levantamento geológico-geoquímico das folhas Vilhena (em andamento) e Pimenteiras (já concluído) pretende-se obter como resultado o relatório geológico com a descrição das unidades mapeadas, além da evolução tectônica da área, relacionando-a, regionalmente com as unidades ocorrentes no país vizinho (Bolívia) e com a evolução paleogeográfica entre o sudoeste do Cráton Amazônico e a Laurência (similaridades entre as Orogenias Sunsás e Grenville).

 

Adicionalmente, os resultados contemplarão a definição do potencial mineral e os mapas geológico e de recursos minerais.

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