Projeto Hulla Negra

Início: 07/2005; Término: 07/2006; Duração: 24 meses



Objetivo e Justificativas

Mapeamento geológico na escala 1:100.000, cadastramento mineral, prospecção geoquímica através de sedimentos de corrente e concentrados de bateia e elaboração de mapa metalogenético e preditivo.

A seleção dessa área decorreu de trabalho anterior na escala 1:250.000 (Folha Pedro Osório), que revelou um “alto estrutural” com continuidade física com a chamada “Janela Bom Jardim”, onde situam-se a Mina do Camaquã (Cu-Ag-Au) e o Depósito de Santa Maria (Pb-Zn-Ag). Nas bordas e no centro desse “alto” são encontradas ocorrências de Cu, Cu-Pb e somente Pb, algumas dessas associadas a rochas metacalcárias. Adicionalmente, a folha em estudo possui as maiores reservas de calcário dolomítico (~ 600 milhões de toneladas) do Rio Grande do Sul e, na sua porção sul, as jazidas de carvão de Hulha Negra e Seival, esta até pouco tempo em explotação pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento.

Embora constitua um ambiente favorável metalogeneticamente, esta área nunca foi mapeada em escala maior que 1:250.000, nem levantada por um programa sistemático de prospecção geoquímica. Pretende-se, assim, com este trabalho, ampliar o conhecimento sobre a área, de forma a definir alvos prospectivos que possam ser estudados em nível de detalhe.


Localização e Acesso

A Folha Hulha Negra situa-se na porção meridional do Estado do Rio Grande do Sul, sendo delimitada pelos paralelos de 31º00’ e 31º30’ de latitude Sul e pelos meridianos de 53º45’ e 54º00’ de longitude Oeste de Greenwich (figura abaixo). Ocupa uma área aproximada de 2.660 km², abrangendo a sede do município Hulha Negra e parcelas dos municípios Candiota, Bagé, Pinheiro Machado e Dom Pedrito.

A área é cortada por duas rodovias federais: BR-293 - que liga Pelotas a Quaraí, passando por Bagé, e atravessa a folha em sua porção meridional numa extensão de 55 km - e BR-153 - que corta o setor oeste da folha, constituindo a ligação da BR-290 (Porto Alegre-Uruguaiana) à Cidade de Bagé. A área é servida ainda por linha férrea que acompanha paralelamente a rodovia BR-293 e que liga o porto de Rio Grande ao sistema ferroviário do restante do estado.

No interior da folha a configuração da malha rodoviária é característica da zona rural, esparsa, interligando fazendas e de tráfego em geral restrito ao período de estio. As condições de acesso são mais precárias na parte leste da folha, em especial ao longo da Bacia do Arroio Velhaco.


Folha Hulha Negra
Geologia Regional

A porção noroeste da Folha Hulha Negra é caracterizada por rochas graníticas da Suíte Intrusiva Santo Afonso, admitidas como tardi-tectônicas, que mantêm relações de contato intrusivas com os litótipos da Sequência Metamófica Arroio da Porteira e do Complexo Granito-Gnáissico, ambos de posição estratigráfica indefinida. Essas unidades são afetadas ainda por apófises e corpos intrusivos do Granito Cerro das Marcas e por enxames de diques riolíticos.

A Suíte Intrusiva Santo Afonso compreende dominantemente termos monzograníticos de granulação média a gross, cores acinzentadas, de cinza-claro a róseo, e que englobam xenólitos de rochas gnáissicas variadas, por vezes com dimensões quilométricas.

A Sequência Metamórfica Arroio da Porteira é representada por ardósias, filitos e, subordinamente, quartzitos, que constituem uma sucessão extremamente deformada. A designação informal Complexo Granito-Gnáissico foi utilizada para referir-se às rochas que se expõem pobremente no leito do Arroio Quebraçho e de outros cursos de água. Esses litótipos correspondem àqueles que afloram na Cidade de Bagé, sendo representados por rochas graníticas e gnáissicas que englobam grandes xenólitos de anfibolitos, rochas calcissilicáticas e lentes de mármore. O stock principal do Granito Cerro das Marcas tem forma grosseiramente triangular, cujo vértice agudo ultrapassa o limite ocidental da folha, sendo caracterizado pela granulação média a grossa, isotropia, coloração rósea e ausência quase total de máficos. Petrograficamente, corresponde a um sienogranito, com quartzo, feldspato alcalino e raras lamelas de biotita.

A parte central da folha é recoberta por rochas vulcânicas (Formação Hilário e Membro Rodeio Velho) e sedimentares (formações Arroio dos Nobre e Guaritas) da Bacia do Camquã.

No canto sudeste da área afloram metamorfitos de baixo e médio grau, referidos ao Complexo Metamórfico Porongos, que incluem xistos, filitos e pargnaisses, aos quais se associam, subordinadamente, quartzitos, rochas calcissilicáticas e metavulcânicas. O contato com as coberturas sedimentares da área central dá-se por uma falha meridiana.

A sequência gonduânica tem ampla distribuição pela área, especialmente a Formação Rio Bonito, que em outros setores próximos encerra jazidas de carvão. Da mesma forma, a cobertura cenozoica, caracterizada pela Formação Santa Tecla, ocupa grandes tratos da área.


Metodologia

O mapeamento deverá ser conduzido através de caminhamentos geológicos, com coleta de amostras para análises petrográficas e químicas. Amostras selecionadas, especialmente do Complexo Granito-Gnáissico, serão determinadas geocronologicamente por U-PB (SHRIMP).

A amostragem geoquímica através de sedimentos de corrente e concentrados de bateia será conduzida numa média de 4 amostras/10km². Os sedimentos de correntes serão analisados para 40 elementos menores e traços.


Resultados Esperados

Mapeamento geológico da Folha Hulha Negra na escala 1:100.000, posicionando estratigraficamente as unidades Sequência Metamórfica Arroio da Porteira e Complexo Granito-Gnáissico, hoje de posicionamento indefinido. O objetivo da prospecção é identificar áreas anômalas caracterizadas pela mineralometria ou pela geoquímica, ou ambas. As ocorrências minerais serão descritas em detalhe e avaliadas no sentido de trabalhos de pesquisa adicionais. Os recursos em carvão mineral serão reavaliados levando-se em conta os furos de sondagem cadastrados na área.

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