Projeto Jequitinhonha

Início: 06/2004; Término: 06/2006; Duração: 24 meses



Objetivo e Justificativas

Cartografia geológica de semidetalhe (escala 1:100.000), apoiada em análises petrográficas, químicas, geocronológicas e da deformação e dados geofísicos; prospecção geoquímica; e atualização e complementação do cadastramento mineral. Disponibilizar uma coletânea de 6 (seis) cartas geológicas e de recursos minerais em bases conceituais modernas no estado de Minas Gerais, entre os paralelos 16° e 17° S e entre os meridianos 40°30’ e 42° W, incluindo uma pequena parte do sul da Bahia. São as folhas: Comercinho (SE.24-V-A-I), Jequitinhonha (SE.24-V-A-II), Almenara (SE.24-V-A-III), Itaobim (SE.24-V-A-IV), Joaíma (SE.24-V-A-V) e Rio do Prado (SE.24-V-A-VI).

Os projetos Leste (CPRM, 1997) e Espinhaço (Grossi-Sad et al., 1997) cobriram a quase totalidade do Vale do Jequitinhonha com cartografia geológica na escala 1:100.000 para atender a uma demanda do setor mineral, em especial o segmento de gemas e joias, e às recomendações contidas no Plano Plurianual para o Desenvolvimento do Setor Mineral (DNPM, 1994), mas as expectativas extrapolavam a questão meramente econômica e científica. Assim, Scliar (1996) esperava que “se além das características físicas do terreno e dos depósitos o Projeto Leste agregar a avaliação crítica e aprofundada dos problemas e barreiras para o desenvolvimento das lavras de pequenos depósitos, tão comuns na região, estará abrindo o caminho para alavancar o acesso e o aproveitamento desses recursos, em prol do bem-estar de toda a comunidade”. Entretanto, a área agora proposta ainda não foi coberta por cartografia geológica de semidetalhe e constitui-se no pedaço faltante para cobertura completa, na escala 1:100.000, de todo o Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais. A área conta apenas com o mapa geológico e de recursos minerais executado pela CPRM na escala 1:250.000 (Perillo, 1995).

O Vale do Jequitinhonha, especialmente a Folha SE.24-V-A (Almenara, 1:250.000, que será mapeada em escala 1:100.000), entre Araçuaí, Itinga e Almenara, possui os minerais de pegmatito entre os seus bens minerais de maior valor econômico, destacando-se os de lítio e pedras coradas (principalmente águas-marinhas). Embora esses depósitos constituam oportunidades de investimento de baixo custo e de alta resposta social, visto que empregam mão de obra de maneira extensiva, as condições socioeconômicas da região são precárias. Fatores históricos, econômicos e sociais contribuem para que essa riqueza mineral não se transforme em melhoria da qualidade de vida da população local. A cartografia geológica da região é necessária não só para dar impulso às ações de apoio direto à atividade minerária, como também para servir de base a outros produtos cartográficos derivados, como por exemplo os mapas hidrogeológicos, de importância vital devido aos períodos de seca prolongada que ali ocorrem.

Em função dos graves problemas sociais, a área proposta é alvo de interesse de instituições no âmbito federal, estadual e municipal, tais como: Secretaria de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas; Governo do Estado de Minas Gerais; Centro Tecnológico de Minas Gerais - CETEC; Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG; Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP e prefeituras municipais da Associação dos Municípios do Médio Jequitinhonha - AMEJE. Essas instituições tiveram a oportunidade de discutir em seminário as diretrizes e ações integradas necessárias para atacar as desigualdades sociais da região. O seminário “Desafios, Oportunidades e Propostas para a Mineração no Médio Jequitinhonha”, promovido pelo MME/SMM/CPRM e DNPM em 18 e 19 de setembro de 2003, abordou a cartografia como um dos eixos ou temas principais. Naquela oportunidade, a CPRM foi instada a contribuir, entre outras participações, com a cartografia geológica básica como alicerce para a cartografia ambiental e hidrogeológica.

Informações preliminares sugerem que, devido à exploração intensa e de longo prazo, torna-se cada vez mais difícil a localização de corpos pegmatíticos rasos. O zoneamento geológico-estrutural e geográfico dos corpos pegmatíticos na chamada Província Pegmatítica Oriental foi tentativamente feito no Projeto Leste (1999), com o estabelecimento de uma certa especialização de cada distrito pegmatítico quanto aos principais minerais-minério, sejam gemas ou minerais industriais. Esse zoneamento deve ser refinado para o melhor direcionamento das pesquisas e investimentos na mineração. Entre as recomendações finais do Projeto Leste destaca-se a que propõe estudar em maior detalhe as unidades metamórficas e graníticas portadoras de pegmatíticos. Sugere-se estudos de detalhe do comportamento estrutural das rochas encaixantes e dos corpos pegmatíticos, visando à definição dos controles das mineralizações, com o intuito de identificar novos corpos, traçar zonas metalogenéticas e previsionais, além de avaliar as reservas existentes de bens minerais de interesse econômico.

Os principais recursos minerais presentes na área são granitos ornamentais, destacando-se as lavras nos maciços de granitos porfiríticos e leucogranitos aluminosos de tonalidade amarelada.

Lavras de pegmatitos litiníferos são particularmente importantes no Vale do Rio Piauí, na Folha Itaobim. Já os pegmatitos portadores de gemas (água-marinha) são poucos e não mostram produção, sendo relatado algum quartzo rosa como subproduto.


Localização e Acesso

A área de estudo encontra-se situada entre os paralelos 16º e 17º S e os meridianos 40º30’ e 42º W, correspondente à área da Folha Almenara 1:250.000.

Estado de Minas Gerais

Geologia Regional

As principais feições geológicas são essencialmente as mesmas já descritas em outros segmentos da Província Mantiqueira: sequências supracrustais metassedimentares aparentemente depositadas em ambiente de margem passiva; suposição de um arco magmático na região da área de ocorrência da Formação Salinas, ora tida como uma unidade mais nova que o Grupo Macaúbas; metamorfismo em condições mais severas, compatível com a fácies anfibolito alto, na zona interna da Faixa Araçuaí; deformações brasilianas num regime tangencial e impressas em eventos múltiplos; ciclo de granitogênese sintectônica (tipo S, neoproterozoica) a pós-tectônica (tipos S e I, neoproterozoica à cambriana).


Lavra de granito para uso como rocha ornamental<BR>na área da Folha Comercinho




Metodologia

A metodologia utilizada nessa proposta técnica foi atualizada visando a adequar-se ao documento “Diretrizes Gerais para o Subprograma Levantamento Geológico Básico Escalas 1:100.000 e 1:250.000”, encaminhado em versão preliminar pelo DEGEO em abril do corrente ano. Os procedimentos técnicos procurarão seguir os preceitos desse documento bem como a densidade de ensaios e observações ali recomendadas.

A geologia da região de Almenara, mais especificamente do terreno correspondente às seis folhas na escala 1:100.000 que delimitam este projeto, encontra-se ainda no nível de reconhecimento. Há um contraste bastante acentuado e de fácil constatação entre as informações até agora existentes sobre essa área e os dados amealhados durante os levantamentos sistemáticos mais recentes, executados nas áreas contíguas e em escala de semidetalhe. Isso motiva a aplicação, também ali, de técnicas modernas de cartografia geológica, de modo a ajudar na consolidação das bases necessárias ao planejamento de outras atividades. A referência metodológica para alcançar tais objetivos tem sido a praticada durante as duas últimas décadas nos levantamentos geológicos básicos (PLGB), notabilizados pelo caráter multidisciplinar dos produtos. É recomendável a sua aplicação, ainda que de uma maneira parcial, junto com as facilidades atuais de divulgação dos dados em ambiente GIS.

Dessa forma, deverá ocorrer ainda um maior volume de investimentos em atividades prospectivas e análises laboratoriais (petroquímicas, geoquímicas, geocronológicas etc). Cabe ressaltar que no campo pegmatítico de Itinga está prevista uma varredura prospectiva de cunho geoquímico envolvendo a coleta de vários tipos de materiais (sedimentos de corrente, concentrados de bateia, solos e rochas).

Os procedimentos nos trabalhos de campo, acoplados ao tratamento das informações no escritório, deverão propiciar, entre outros aspectos, uma conceituação adequada da evolução crustal e dos controles das mineralizações. A título de exemplo, a partir das novas informações, a análise da deformação deverá levar a uma identificação dos regimes tectônicos (tangencial e transcorrente); inter-relação com os corpos de rochas granitoides; distinção preliminar, dentro do Orógeno Araçuaí/Rio Doce, entre os granitoides gerados nos estágios sin, tardi e pós-orogênicos (magmatismo pré a sinorogênico, sin a tardiorogênico e tardi a pós-orogênico); controles estruturais no posicionamento dos corpos pegmatíticos e principais sistemas de fraturas abertas (aquíferos).

Como os trabalhos anteriores não propuseram uma sucessão estratigráfica no interior das entidades supracrustais (gnaisses kinzigíticos, quartzitos e xistos), deverão ser desenvolvidas algumas seções detalhadas para estabelecer as variações litológicas verticais. Os caminhamentos geológicos regionais são essenciais para correlações estratigráficas entre gnaisses kinzigíticos da zona interna do Orógeno Araçuaí/Rio Doce e xistos metapelíticos da zona externa (bacia de margem passiva), para obter informações sobre a faciologia metamórfica (e tipo de metamorfismo) dessas unidades supracrustais etc.

O estágio atual da cartografia geológica regional ainda mostra uma grande indefinição no zoneamento composicional de todas as massas de rochas granitoides, gnaissificadas ou não, e quase sempre de dimensões batolíticas. Esse problema deverá ser superado, em parte, com auxílio das descrições petrográficas voltadas para a identificação de protólitos, estabelecimento dos trends composicionais (normativos) das séries magmáticas e dos tipos de magmatismo granítico (I e S).


As seguintes atividades estão previstas para a execução do projeto:

Aquisição de documentação:

  • Cópias de relatórios dos projetos Jequitinhonha, Mapa Metalogenético/Previsional da Folha Almenara e Leste, e de levantamentos hidrogeológicos.
  • Coleções de aerofotografias USAF (escala 1:80.000) e FAB (1:100.000) e respectivos fotoíndices.
  • Imagens LANDSAT TM, ASTER.
  • Localização de lâminas petrográficas no acervo da SUREG-BH.
  • Bases cartográficas planialtimétricas na escala 1:100.000 (IBGE).


Análise bibliográfica:

  • Reinterpretação das descrições de afloramentos dos levantamentos geológicos anteriores.
  • Revisão das descrições petrográficas.
  • Utilização do banco de dados de cadastramentos de recursos minerais.
  • Análise dos trabalhos de pós-graduação (teses e dissertações).


Fotointerpretação:

  • Interpretação das fotografias aéreas e análise de sensores remotos (imagens de satélite e de radar).
  • Traçado de contatos geológicos, lineamentos estruturais, principais fraturas e formações superficiais.
  • Integração com os dados dos levantamentos anteriores.


Mapas geológicos preliminares:

  • Execução de cópias digitais das aerofotografias interpretadas e seu georreferenciamento.
  • Integração dos dados bibliográficos, das revisões e da fotointerpretação.
  • Interpretação geofísica (derivada vertical, relevo sombreado e sinal analítico).
  • Processamento digital de bases cartográficas.
  • Elaboração de legenda/coluna estratigráfica.
  • Elaboração de cartas geológicas preliminares na escala 1:100.000.


Treinamento:

  • Treinamento em GIS (ArcView 8.3), petrografia microscópica (rochas granitoides e de médio a alto grau) e geologia estrutural.


Cartografia geológica:

  • Estão previstas cinco etapas de campo de 20 dias por folha com suporte de análise de lâminas petrográficas (200 lâminas/folha) e litoquímicas (55 análises/folha).


Cadastro de recursos minerais e prospecção geoquímica:

  • Sedimentos de corrente (110 amostras/folha) e concentrados de bateia (15 amostras/folha).


Prospecção geofísica:

  • Levantamentos geofísicos em perfis terrestres de magnetometria, gamaespectrometria, eletromagnético (EM-34 Geonics) e kapametria.


Análises laboratoriais:

  • Análises geoquímicas para Rb, Sn, Nb, Ta, Li, Cu, Pb e Zn.
  • Análises mineralógicas de concentrados de bateia.
  • Análises químicas para óxidos maiores e menores, elementos-traço e Terras Raras.
  • Determinações geocronológicas U-Pb em zircão.


Consolidação e interpretação de dados - relatório final:

  • Apresentação de mapas geológicos finais, escala 1:100.000.
  • Mapas geoquímicos.
  • Perfis geofísicos.
  • Elaboração de texto explicativo.
  • Banco de dados geográfico (SIG) dos dados obtidos: recursos minerais, geologia e demais temas.



Resultados Esperados
Mapas geológicos e de recursos minerais das folhas Comercinho (SE.24-V-A-I), Jequitinhonha (SE.24-V-A-II), Almenara (SE.24-V-A-III), Itaobim (SE.24-V-A-IV), Joaíma (SE.24-V-A-V) e Rio do Prado (SE.24-V-A-VI).

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