Projeto Joinville

Início: 04/2004; Término: 06/2006; Duração: 24 meses



Objetivo e Justificativas

O propósito principal deste projeto é o mapeamento geológico, em escala 1:250.000, a ser realizado na região situada no extremo nordeste do estado de Santa Catarina. Neste trabalho pretende-se agregar qualidade à cartografia pelo detalhamento de unidades geológicas indivisas, a partir da integração de dados novos gerados por trabalhos de teses de pós-graduação, pelo incremento de elementos de aerogeofísica e metalogenia bem como de malha de amostragem geoquímica e de mapeamento litoquímico.

A área da folha compreende predominantemente o Complexo Granulítico de Santa Catarina (arqueano-paleoproterozoico), granitos tardi a pós-tectônicos (neoproterozoicos) e as bacias vulcano-sedimentares Itajaí, Corupá e Campo Alegre (neoproterozoico-cambrianas). Esses segmentos são portadores de ocorrências aluvionares de Au e filonianas de Au, Pb-Zn e Cu.

Os trabalhos de mapeamento anteriores não contemplavam a metalogenia e a previsão mineral, com exceção da Carta Metalogenética/Previsional DNPM/CPRM de 1983.

Pretende-se com o mapeamento proposto um avanço no conhecimento científico e metalogenético da região, há mais de duas décadas carente de mapeamento geológico e prospecção geoquímica regional.


Localização e Acesso

A Folha Joinville localiza-se no extremo NE do estado de Santa Catarina, com cerca de 10% da área no SE do estado do Paraná.


Geologia Regional

O Complexo Granulítico de Santa Catarina foi inicialmente definido por Hartmann et al. (1979), consistindo em rochas metamórficas nos fácies granulito e anfibolito. O evento metamórfico de alto grau tem idade transamazônica, 2,2Ga (Chemale Jr. et al., 1995). Essa é a unidade predominante na área (cerca de 40%). Fornari (1998) considerou que foram metamorfisadas no fácies granulito as associações enderbítica (predominante), máfico-ultramáfica e metassedimentar, enquanto que a Suíte Alcalina Braço do Gavião, a Suíte Granítica Pomerode e diques de hornblenditos seriam posteriores ao evento metamórfico granulítico.

No extremo sudeste da área afloram rochas metassedimentares e metavulcânicas do Grupo Brusque. As idades de metamorfismo Rb/Sr estão entre 808Ma e 599Ma, embora a idade de deposição seja desconhecida (Basei, 1985). Na área do projeto essas rochas são intrudidas por rochas graníticas da Suíte Granitoide Valsungana, que apresentam idade U/Pb em zircão de 647±12Ma (Basei, 1985). O limite norte do Grupo Brusque é a Zona de Cisalhamento Perimbó, a qual coloca essa unidade em contato, na área do projeto, com litologias do Complexo Granulítico de Santa Catarina e da Bacia do Itajaí.

No extremo nordeste da área ocorrem granitoides com idades Rb/Sr e U/Pb em zircão neoproterozoicas, encaixados em gnaisses, mica-xistos, quartzitos e anfibolitos (Siga Jr. et al., 1993; Siga Jr., 1995). De acordo com Siga Jr. (1995), essas rochas pertencem ao Domínio Paranaguá, estando em contato tectônico com o Complexo Granulítico de Santa Catarina, a oeste, através do Lineamento Palmital.

No noroeste da área, Harara (2001) definiu o Cinturão Granítico Piên-Mandirituba (idades U/Pb em zircão e titanita entre 620Ma e 610Ma), a Suíte Máfico-Ultramáfica Piên (idades U/Pb SHRIMP de cristalização em zircão de 631-632±17/18Ma) e o Granito Tarumã.

Em toda a parte norte da área há vários granitos intrusivos no Complexo Granulítico de Santa Catarina, como os granitos Dona Francisca, Piraí, Agudos do Sul, Corupá e Morro Redondo. Siga Jr. (1995) apresentou as idades U/Pb em zircão de 594±26Ma para o Granito Agudos do Sul, de 580±6Ma para o Granito Corupá e de 589±37Ma para o Granito Morro Redondo.

A Bacia do Itajaí aflora na parte meridional da área. Nessa bacia, Fonseca (2004) identificou quatro sequências deposicionais compostas por sistemas deltaicos e turbidíticos. O achado do fóssil Chancelloria sp. permite atribuir uma idade cambriana para a bacia (Paim et al., 1997). No entanto, uma idade U/Pb SHRIMP em zircão de 606±8Ma foi obtida para uma camada de tufo intercalada (Silva et al., 2002), o que indicaria uma idade do Neoproterozoico III. As rochas da Bacia do Itajaí recobrem discordantemente o Complexo Granulítico de Santa Catarina e estão em contato tectônico, a sudeste, com o Grupo Brusque, através da Zona de Cisalhamento Perimbó.

A Bacia de Campo Alegre, situada no setor noroeste da área, é composta, da base para o topo, pelas formações bateias, composta por conglomerados e arenitos, Campo Alegre, predominantemente vulcânica, e Rio Turvo, composta por epiclásticas e piroclásticas (Waichel, 1998). Esse autor ainda subdividiu a Formação Campo Alegre nas unidades informais Sequência Efusiva Inferior, Sequência Epiclástica-Vulcanoclástica Intermediária e Sequência Efusiva Superior. A Formação Campo Alegre apresenta uma idade de 595±16Ma (Cordani et al., 1999 apud Waichel et al., 2000). As rochas dessa bacia assentam-se, em discordância, sobre o Complexo Granulítico de Santa Catarina.

O Gráben de Corupá localiza-se ao sul da Bacia de Campo Alegre, estando em contato por falha com o Granito Corupá, a norte, e com o Complexo Granulítico de Santa Catarina, a sul. As características litológicas e o empilhamento estratigráfico são semelhantes aos da Bacia de Campo Alegre, embora os estratos no Gráben de Corupá tenham mergulho mais alto (Daitx e Carvalho, 1980; Waichel, 1998). Daitx e Carvalho (1980) consideram o Gráben de Corupá como um fragmento da Bacia de Campo Alegre, preservada da erosão por falhas.

A leste da Bacia de Campo Alegre ocorre a Bacia de Joinville, composta por conglomerados na base e por uma intercalação de arenitos, lutitos, tufos e derrames no topo (Gonçalves e Kaul, 2003).

As bacias do Itajaí, Campo Alegre/Corupá e Joinville foram formadas nos estágios finais do Ciclo Brasiliano.

Na parte oeste da área afloram as rochas sedimentares da Bacia do Paraná, assentadas discordantemente sobre as rochas do embasamento. De acordo com Guazelli e Feijó (1970), na área desse projeto afloram litologias da Formação Furnas (devoniana) e do Grupo Itararé (permo-carbonífero). O Grupo Itararé foi dividido por França e Potter (1988) nas formações Lagoa Azul, Campo Mourão e Taciba. Em estudo de poços fora da área do projeto, mas próximo ao seu limite norte, Castro (1999) identificou a ocorrência da parte superior da Formação Campo Mourão bem como da Formação Taciba, tendo subdividido esse intervalo em cinco sequências deposicionais. De um modo geral, essas sequências registram a deposição de sistemas glacio-marinho, fluvial, deltaico-estuarino e marinho (Castro, 1999).

Diques básicos afloram em toda a área. Pelo menos um deles é mapeável na escala 1:250.000, o qual está situado próximo à borda oeste da Bacia de Joinville. Esses diques são provavelmente correlacionáveis com a Formação Serra Geral, do eocretáceo.

A unidade cenozoica formal existente na área é a Formação Iquererim, composta por pedimentos formados em clima semi-árido e que aflora na parte nordeste da área (Bigarella et al., 1961; Gonçalves e Kaul, 2003). Horn Filho (1997) sugere uma idade plio-quaternária para essa unidade. Os depósitos quaternários da parte nordeste são de origem aluvial, eólica, marinho-praial, lagunar, fluvio-lagunar, estuarina e eólica (Horn Filho, 1997; Gonçalves e Kaul, 2003). No extremo sudeste da área, entre Itajaí e Balneário de Camboriú, Bigarella e Salamuni (1961) referem-se a depósitos continentais correlacionáveis à Formação Iquererim. Ainda ocorrem depósitos quaternários nos vales de drenagens, sendo que os mais desenvolvidos estão associados ao Rio Itajaí-Açu, bem como na longa faixa litorânea arenosa entre Piçarras e São Francisco do Sul.


Metodologia

Os trabalhos deste projeto deverão ser em GIS, com uma base de dados contendo as ocorrências minerais, litoestratigrafia e estruturas.


Resultados Esperados

O Mapa Geológico da Folha Joinville irá fornecer informações geológicas atualizadas, uma vez que o mapa geológico mais recente dessa folha data de 1983. Para tal, além do trabalho de campo, utiliza-se bibliografia atualizada, com alguns mapas geológicos parciais bastante recentes. Além disso, serão atualizadas as informações quanto a ocorrências minerais, atividades de extração mineral e sítios arqueológicos. Os novos dados obtidos durante a execução do projeto em termos de petrografia, litogeoquímica, geoquímica de sedimento e geocronologia também serão uma importante contribuição ao conhecimento da área. Em especial, procurar-se-á aplicar a geocronologia na resolução de problemas estratigráficos. A aplicação de GIS como ferramenta cartográfica por si só permitirá um grande avanço em termos de precisão e de gerenciamento de dados.

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