Projeto Sete Lagoas - Abaeté

Início: 07/2004; Término: 05/2006; Duração: 23 meses



Objetivo e Justificativas

O projeto tem por objetivo a continuidade dos estudos geológicos na Bacia do São Francisco, através da integração de informações geológicas, geofísicas, geoquímicas e metalogenéticas e da cartografia geológica de semi-detalhe (escala 1:100.000) das folhas Baldim, Sete Lagoas, Pompéu e Abaeté, Bom Despacho (parte, 50%), Pedro Leopoldo (parte, 20%), Lagoa Santa (parte, 20%) e Belo Horizonte (parte, 25%).

O mapeamento nessa área, borda sudeste da Bacia do Gr. Bambuí, onde as relações estratigráficas entre o embasamento cristalino e as sequências sedimentares que o recobrem estão bem definidas, permitirá, através da realização de perfis verticais (gráfico-sedimentares) representativos de cada unidade, levantar a história evolutiva da sedimentação e estender esse conhecimento para toda a bacia. O conhecimento obtido deverá servir para a prospecção de jazidas de vários bens minerais, tais como Zn, Pb, fluorita e sulfetos.

A continuidade do mapeamento geológico na Província Mineral Bambuí, aí incluída a Formação Vazante, constitui um importante domínio a ser estudado em uma região central do Brasil, região esta de extrema importância pela sua posição geográfica (abrange parte das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste) e por concentrar grande parte das indústrias nacionais de extração mineral e de transformação. Embora na Faixa Vazante-Paracatu existam importantes depósitos de zinco-chumbo e ouro e na região de Patos de Minas existam grande jazimento de fosfato, no restante da bacia existem inúmeras ocorrências/depósitos minerais de pequeno porte que podem, em certos casos, ser considerados distritos metalogenéticos, mas que são pouco conhecidos ou praticamente desconhecidos do ponto de vista tipológico. A maioria desses depósitos é de metais-base e se alojam em carbonatos ou secundariamente em pelitos do Grupo Bambuí.

O estudo geológico da bacia, com a consequente melhor compreensão dos depósitos, permitirá a definição de parâmetros que possibilitem um programa de exploração mineral mais racional, principalmente para metais-base e rochas fosfáticas. A definição do potencial da bacia, ou de parte dela, para gás também será extremamente importante, pois, além de ser este um bem estratégico, é algo há longo tempo discutido e não definido, o que sempre gera expectativas, verdadeiras ou não. Cumpre destacar, também, a importância dos bens minerais não metálicos, como calcário e dolomito, utilizados para os mais diversos fins - argilas para cerâmicas, ardósias para revestimento, rochas fosfáticas como insumo agrícola, dentre outros. O conhecimento da geologia dos terrenos portadores de rochas fosfáticas é do interesse do segmento do setor mineral voltado para a produção de fertilizantes e tem alcance social.

Outro aspecto relevante é a criação de um grupo de geólogos treinado em levantamentos geológicos de bacias carbonáticas.


Localização e Acesso

Centro do estado de Minas Gerais, estendendo-se do meridiano 43°30’W, na Serra do Espinhaço, a leste, até o meridiano 45°30’W, no Rio São Francisco, e entre os paralelos 19° e 20°S.

 


Estado de Minas Gerais  


Geologia Regional

A área do projeto encontra-se inserida no núcleo antigo arqueano (porção meridional do Cráton do São Francisco), constituído por ortognaisses mesoarqueanos do Complexo Belo Horizonte e unidades metavulcano-sedimentares (Supergrupo Rio das Velhas). Sobre esse terreno granito-greenstone ocorrem unidades supracrustais proterozoicas (supergrupos Minas, Espinhaço e São Francisco). Durante o Neoproterozoico, ressalta a invasão, provavelmente criogeniana, do Mar Bambui, com sedimentação pelito-carbonática.


Panorâmica da lavra de ardósia da mineração do Alto da Boa Vista, na unidade estratigráfica Formação Santa Helena

Metodologia

O mapeamento geológico dessa porção da bacia representa uma mudança da estratégia de mapeamento até então utilizada na concepção original do Projeto São Francisco e que estava direcionada para a porção centro-ocidental da bacia. Espera-se que haja um avanço no conhecimento da estratigrafia da bacia, não só em decorrência disso, mas também em função de modificações na metodologia utilizada. Em alguns aspectos a metodologia a ser utilizada deverá seguir os preceitos propostos por Lopes, J. N. (2003), em “Procedimentos Básicos para Mapeamento em Superfície de Rochas Carbonáticas”, onde se sugere que as unidades sejam mapeadas detalhadamente através de perfis verticais (gráfico-sedimentares), utilizando-se os conceitos da estratigrafia formal com a subdivisão em formações, membros etc., e que se mantenham as denominações formais já estabelecidas. Essa inserção na estratigrafia formal facilitará a correlação estratigráfica numa bacia ainda pouco conhecida. Grande importância será dada nos trabalhos de campo à descrição detalhada de seções e perfis verticais e laterais. Prevê-se que o projeto poderá ter o apoio das seguintes análises laboratoriais:

  • Descrição petrográfica de lâminas delgadas;
  • Microscopia por catodoluminescência;
  • Microscopia por fluorescência por ultravioleta;
  • Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV);
  • Isótopos estáveis de carbono/oxigênio;
  • Isótopos de estrôncio;
  • Difratometria de raio X para argilo-minerais;
  • Fluorescência de raio x para identificação de elementos maiores.


O projeto será desenvolvido em continuidade ao que já tem sido feito, em ambiente de Sistema de Informações Geográficas compatível com as orientações do GIS-Brasil e do GeoSGB. Essa orientação permite a integração dos resultados aos sistemas da CPRM e a realização de operações de geoprocessamento e modelamento espacial.

Para fotointerpretação e sensoriamento remoto serão disponibilizadas imagens de satélite com resolução espacial até 15 metros e fotografias aéreas comuns da cobertura USAF (1:60.000) ou CEMIG (1:30.000). Poderão ser utilizadas técnicas de processamento digital de imagens, na medida de sua aplicabilidade, tais como classificações, realces de imagens, filtragens, fusão e principais componentes. Serão gerados os modelos digitais de terreno para obtenção de uma visão geomorfológica do terreno a fim de auxiliar o mapeamento e a fotointerpretação de imagens.

Para a consecução do projeto prevê-se, de forma geral, as seguintes atividades:

  • Treinamento em GIS (ArcView 8.3);
  • Treinamento em rochas carbonáticas e siliciclásticas;
  • Coleta, análise e compilação bibliográfica;
  • Obtenção de documentação cartográfica;
  • Processamento digital de bases cartográficas;
  • Revisão petrográfica;
  • Consultoria externa e interna;
  • Fotointerpretação;
  • Interpretação geofísica;
  • Mapeamento geológico;
  • Cadastro de recursos minerais;
  • Análises laboratoriais;
  • Apresentação de mapas preliminares, escala 1:100.000;
  • Apresentação de mapas preliminares de recursos minerais, escala 1:100.000;
  • Atualização permanente de bases de dados;
  • Apresentação de mapas geológicos finais, escala 1:100.000;
  • Mapas finais de recursos minerais;
  • Elaboração de texto explicativo;
  • Editoração de mapas, SIG e relatórios;
  • Divulgação.



Resultados Esperados

Cartografia geológica da área de ocorrência de rochas do Grupo Bambuí (13.090 km²) mais a compilação da área do embasamento cristalino, com reinterpretação de dados geoquímicos existentes, interpretação geofísica e atualização de cadastramento de recursos minerais, em GIS, das folhas Abaeté, Pompéu, Sete Lagoas, Baldim, Bom Despacho, Contagem e Belo Horizonte (escala 1:100.000).

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