Segunda-feira, 10 de junho de 2019

#MulheresNasGeociências: Perfil de Maria Antonieta Mourão

 Maria Antonieta Mourão no Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas
Pesquisadora em Geociências do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) há mais de 20 anos, Maria Antonieta Mourão, atua na área de Recursos Hídricos Subterrâneos, mas também já trabalhou com Gestão Territorial. A mestre em Geologia e doutora em Meio Ambiente pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se dedicou a projetos de extrema relevância para o país dentro da CPRM. Alguns deles foram: “Ações Emergenciais de Combate aos Efeitos da Seca”; “Avaliação dos Recursos Hídricos na Bacia do rio São Francisco”; “Zoneamento Ecológico-Econômico da Área de Proteção Ambiental Sul de Belo Horizonte” e “Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (RIMAS)”.

Atualmente, Maria Antonieta está envolvida no “Projeto Estudos para a Implementação da Gestão Integrada de Águas Superficiais e Subterrâneas na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco: Sub-bacia do Rio Verde Grande”, desenvolvido em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA).

Dentre os diversos projetos, Maria Antonieta destaca como mais relevante o RIMAS, pois implantou uma rede de monitoramento de água subterrânea, algo então inexistente a não ser por iniciativas locais, conforme explicou. “Muitos desafios foram enfrentados, especialmente na fase inicial, como a assimilação e adaptação das técnicas e métodos adotados em outros países; a definição e treinamento de equipe, seleção e instalação de equipamentos automáticos e construção de poços de observação”, afirmou.

Segundo a pesquisadora, devido ao Projeto RIMAS, há atualmente 393 estações de monitoramento implantadas em praticamente todos os principais aquíferos do Brasil e os dados produzidos têm grande importância para a gestão dos recursos hídricos subterrâneos.

Além dos desafios inerentes à profissão, Maria Antonieta também precisou lidar com a questão de gênero em um ambiente predominantemente masculino. “A grande dificuldade que enfrentei, que já se iniciou na própria graduação, é realmente demonstrar a minha capacidade tanto profissional quanto física para o exercício da Geologia. Mas em nenhum momento, isto me tolheu e sempre assumi grandes desafios, como por exemplo, no início de carreira, quando fui trabalhar com prospecção mineral em uma área de garimpo dominada por homens”

Sobre a questão de gênero, Maria acredita que as meninas e mulheres, que pretendem iniciar carreira nas Geociências, deverão encontrar um ambiente mais justo e com menos desigualdade de gênero. “Percebo, apesar de algumas exceções, que as empresas estão valorizando muito mais o talento, a proatividade, o comprometimento e a capacidade profissional em detrimento a outros fatores como preconceitos, mesmo que inconscientes, ou práticas organizacionais tradicionais no local de trabalho”. Ela observou ainda que o diferencial em ser mulher é ter que estabelecer um bom equilíbrio entre a vida pessoal, especialmente quando se tem filhos, e a vida profissional: “Isso nem sempre é fácil, mas pela minha experiência, é perfeitamente possível”, concluiu.


Lorena Amaro
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
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lorena.costa@cprm.gov.br


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