Quarta-feira, 11 de abril de 2012

Acordo de cooperação Brasil-França avalia as condições das águas subterrâneas da Região Metropolitana do Recife

Um acordo de cooperação entre Brasil e França vai estudar o impacto humano nas águas subterrâneas da Região Metropolitana do Recife (RMR). O estudo Challenge of water quality in urban environmental issue: Recife aquifers and land use. How to face groundwater salinisation and contamination under global environmental change in its societal context – Projeto Coqueiral vai analisar os usos e a percepção social da água, além de identificar os processos de degradação pelos quais os aquíferos da costa pernambucana vêm passando ao longo das últimas décadas.

A pesquisa será coordenada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Brasil, e pelo Bureau de Recherches Géologiques et Minières (BRGM), na França, com a colaboração do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), da Universidade de São Paulo (USP) e das francesas Lille 3 e Rennes 1, além do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da parceria privada da Géo-Hyd, empresa de gestão de recursos naturais e sistemas de informação. Em março, as entidades envolvidas se reuniram no Recife para dar início ao projeto.

Com duração prevista de três anos e um investimento de mais de R$ 2 milhões, o Projeto Coqueiral propõe uma pesquisa interdisciplinar que alia a proteção ambiental ao planejamento de gestão das águas subterrâneas. Através do estudo será possível avaliar o impacto humano sobre a qualidade e a quantidade de água dos aquíferos da costa de Pernambuco, superexplorados com o aumento da urbanização nestas localidades.

No Brasil, a água é um bem de domínio público e todo e qualquer uso tem que ser autorizado. Segundo Marcelo Asfora, diretor-presidente da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), apenas 5094 poços, de um total de 18 mil, são outorgados no estado – destes, 90% utilizam as águas subterrâneas para fins de abastecimento. O Projeto Coqueiral vai detectar como se dá o uso dessas águas e apontar a origem dos processos de salinização e de poluição inorgânica, além de traçar a evolução dos aquíferos com as mudanças ambientais e sociais da costa pernambucana.

Pernambuco cresce acima da média do Nordeste e do Brasil – o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 26,23% no período de 2007 a 2010 –, o estado segue com potencialidades hídricas restritas, tornando necessário o equilíbrio entre as atividades produtivas e os usos da água para evitar danos ainda maiores posteriormente.

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