Sexta-feira, 22 de março de 2019

Atuação do Serviço Geológico no bairro Pinheiro busca preservar vidas, afirma diretor durante audiência pública no Senado

Antonio Carlos Bacelar destacou que o papel do Serviço Geológico não é apontar culpados, mas sim,  identificar  a causa ou  causas do fenômeno que atinge o bairro
O diretor de Hidrologia e Gestão Territorial, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Antônio Carlos Bacelar, disse durante audiência, nesta quinta-feira (21/3), na Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização, Controle e Defesa do Consumidor, do Senado, que o trabalho da CPRM, no bairro Pinheiro, em Maceió, busca preservar a vida dos moradores.

Bacelar participou da audiência pública convocada pelo senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), presidente da Comissão, acompanhado por Thales Sampaio, coordenador da equipe técnica que esta trabalhando no bairro e do geologo Jorge Pimentel.

O diretor destacou que tão logo tomou conhecimento sobre o que estava acontecendo no bairro Pinheiro, a CPRM desencadeou uma ação emergencial que mobiliza uma equipe multidisciplinar composta por 53 pesquisadores, que estão trabalhando diuturnamente para identificar a causa ou as causas do fenômeno, que pela sua complexidade, exige estudos minuciosos no subsolo do bairro, que estão sendo realizados dentro do cronograma previsto, utilizando modernos equipamentos de pesquisa e metodos geofísicos avançados.

O diretor disse que até o final de abril, a CPRM vai apresentar relatório sobre o problema para orientar as autoridades. “A ciência requer tempo, determinação, persistência. São várias metodologias empregadas no Pinheiro, vários métodos geofísicos. Isso requer tempo para interpretar. Precisamos ter tranquilidade para analisar esses dados e ter uma informação correta, precisa. Não trabalhamos para indicar culpados, mas para identificar o que realmente está acontecendo no bairro, ” explicou

Bacelar ressaltou ainda o comprometimento dos pesquisadores da CPRM em descobrir a causa ou as causas do fenômeno é a solidariedade da instuição com os moradores do bairro. “É a prioridade da CPRM e estamos atuando de forma coordenada com o Ministério de Minas e Energia para dar resposta à população no menor tempo possivel”.

O diretor destacou também que os estudos contam, inclusive, com apoio do Serviço Geólogico dos Estados Unidos, que disponiblizou dois pesquisadores para ajudar nas investigações.

Thales  Sampaio durante apresentação  dos  resultado da análise interferométrica de imagens de radar Resultados preliminares - Thales Sampaio, coordenador da equipe técnica, apresentou os resultados preliminares dos estudos sobre a instabilidade do bairro. Sampaio contextualizou o problema, explicou as linhas de investigação, os estudos gefísicos já realizados e os resultados preliminares com considerações sobre providências que deverão se tomadas pelas autoridades.

Sampaio explicou que o terreno do bairro é erossivo e pouco compactado. Destacou também que o bairro foi ocupado sobre antigas lagoas aterradas e que a chuva e falta de esgotamento adequado potencializa o processo de instabilidade.

O pesquisador disse também que com as informações disponíveis a CPRM recomenda as autoridades ajustar o plano de contingência, construção da rede de drenagem provisória, antes do periódo de chuvas e execução de obras de saneamento e de drenagem adaptada ao problema do bairro.

Sampaio apresentou resultado da análise interferométrica de imagens de radar no período de abril 2016 a dez 2018, adquiridas pela CPRM para auxiliar nos estudos. “ Com a interferometria foi possivel compreender que existe um grande bloco delimitado por um arco. Este arco passa pela zona que estávamos vendo quebradas em direção a lagoa, todo o bairro está em subsidência, tudo o que está dentro desse arco está descendo, em uma velocidade de subsidência que consideramos importante. Em algumas áreas chega a 40 centímetros em 2 anos”, disse.

A audiência pública no  Senado reuniu representantes de diversas instituições envolvidos  na busca  de soluções para o problema enfrantado no bairro Pinheiro. De acordo com o geológo, o encontro de dois blocos, está desenhado em forma de arco, onde o arco que vem em direção da lagoa está baixando e o arco do lado de fora, está estável, ou seja, ele não está com subsidência.

“Agora compreendemos perfeitamente que mapeamos a zona de cisalhamento, a zona onde os blocos estão se deslocando: um parado e o outro está baixando, então você só tem três possibilidades: ou estica, ou quebra, ou dobra. No caso das rochas do bairro do Pinheiro, o que faz? Quebram! E quebram aproveitando zonas de fraquezas que são antigas fraturas geológicas”, explicou.

A audiência aconteceu em blocos temáticos, com discussões que envolveram representantes do Ministério de Minas e Energia, CPRM, Braskem, Agência Nacional de Mineração (ANM), Prefeitura de Maceió, Defesa Civil de Alagoas, Caixa Seguradora, Ministério do Desenvolvimento Regional, Ministério Público de Alagoas, Procuradoria Geral da República, Tribunal de Justiça de Alagoas, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Defensoria Pública, Universidade Federal de Alagoas, Defensoria Pública do Estado de Alagoas, Companhia de Abastecimento D’Água e Saneamento e representes dos moradores do bairro Pinheiro.

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Warley Pereira
Assessoria de Comunicação
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