Terça-feira, 14 de março de 2017

Delta do Parnaíba ganha destaque internacional por sua beleza natural

 Cânion do rio Poti localizado entre o Piauí e Ceará Santuário ecológico. Terceiro maior delta do mundo e único das Américas a desaguar no oceano. Piscinas naturais. Centenas de dunas e mais de 70 ilhas num litoral repleto de praias de águas mornas e cristalinas. Esses são alguns dos atributos do Delta do Parnaíba, localizado entre os estados do Piauí e Maranhão. A região tem atraído atenção de turistas e da imprensa internacional.

O local foi cenário das gravações para um documentário que desvenda os mistérios dos lençóis do Delta do Parnaíba, que está sendo produzida por uma equipe de TV japonesa. Além do Delta, o documentário mostrará também áreas das nascentes, tabuleiros do sul do estado do Piauí, na Serra Vermelha e o Cânion do rio Poti.

Durante cinco dias, o geólogo do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), José Sidiney Barros, acompanhou a equipe de cinegrafistas e produtores explicando a formação geológica e a importância de preservação da região. A iniciativa, mais do que mostrar a beleza e importância do local, põe em evidência a atuação da CPRM na região, e seu trabalho de levantar e caracterizar possíveis sítios geológicos.

Barros explica que o rio Poti, maior afluente do rio Parnaíba, esculpiu cânion que atinge 360 metros de altura na área de contato entre o cristalino (estruturas geológicas antigas, formadas na era Pré-Cambriana e início da era Paleozoica) e rochas sedimentares. No local, emoldurando o cânion, há gravuras rupestres confeccionadas em baixo relevo, constituindo um dos mais importantes complexos de gravuras rupestres das Américas.

Os geólogos José Sidiney Barros e José Milton de Oliveira Filho, ambos da Residência de Teresina, estudam e defendem a classificação do Cânion do rio Poti em um Geoparque, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

 Geólogo Sidiney Barros explica a geologia local para a equipe japonesa O documentário será exibido em agosto no programa “Great Nature”, da TV japonesa NHK.

Em entrevista ao Informe CPRM, o geólogo José Sidiney Barros, que atua desde 2008 na região, explica a importância geológica e a proposta de geoparque para região.

Informe CPRM: Qual a atuação da CPRM para preservação da região?
José Sidiney: O projeto surgiu na região em função da proposta de geoparque, tanto do Delta [Parnaíba], como do Cânion [rio Poti]. Então, são duas áreas, de certa forma, exploradas pelo turismo e receptíveis a problemas de degradação ambiental. São duas áreas muito frágeis e que precisam de uma preservação maior. Nós fazemos os mapeamentos de sítios e geossítios em que há o interesse geológico e também o interesse turístico, já que o geoparque é baseado nos três pilares geologia, geoturismo e educação. O rio é o principal bem da região, em termos de produção. Nossa tentativa é produzir renda para a população da região através da proposta de geoparque. Temos levantado esses geossítios, conversado com a população, governo estadual e municipal, prefeituras e municípios envolvidos na tentativa de chamar a atenção dos órgãos federais, estaduais e municipais para as belezas e potencialidades da região.

O que levou a TV japonesa a realizar o documentário sobre a região?
Eles acharam interessante a área do Cânion do Poti e do rio Parnaíba porque eles estão ligados à formação do Delta do Parnaíba. O Delta Parnaíba é o único delta em mar aberto das Américas e eles têm a preocupação de explicar a formação dos lençóis maranhenses que integram o Delta. E explicar como um aporte daquele segmento forma um delta, de onde ele vem, qual a fonte, qual o meio de transporte, qual a origem, qual a idade... São questões bases que o programa quer abordar.

Para chegar ao delta, eles tem que, principalmente, conhecer o rio e ver a história geológica do Parnaíba e Poti. Eles pretendem fazer uma nova viagem agora em março, uma nova pesquisa, a primeira parte foi só um piloto, digamos assim... Mas, a gente vai descer o rio Parnaíba até o Delta. Desde Jalapão, desde as Mangabeiras, das nascentes até o desaguamento no oceano. Vendo, exatamente, essas características das rochas que são erodidas, qual o afluente que fornece mais segmento para que eles possam entender como esse sistema é mantido. Desde a formação, até os dias atuais.

Como foi a experiência em campo com a esquipe japonesa?
A maior dificuldade é o fato de eles não terem o conhecimento técnico de geologia. O processo se deu pela maneira com que a gente traduziu essa geologia. Mas, eles fizeram uma pesquisa profunda com as informações da CPRM e nós tentamos mostrar a região, os processos, como a população convive e o que podem extrair. Tem sido uma experiência interessante, temos tido uma boa recepção da população e eles ficam cada vez mais encantados. Tanto que agora estamos querendo ir para outras áreas aqui do Piauí, em outros rios, pois estamos descobrindo coisas interligadas. Bom, estamos tentando fazer essa amostragem pra levar o Brasil pra conhecer melhor essa região. É sempre muito gratificante.

Qual a relação da comunidade local com o Delta?
A região é muito pobre. A maior dificuldade é o acesso. As estradas são muito ruins, só carro tracionado consegue chegar lá. Um mês atrás nós tivemos dificuldade de chegar em algumas áreas porque os riachos estavam cheios. Tivemos que atravessar agarrados em madeiras, enquanto alguém puxava uma corda. Os carros não puderam atravessar... Mas, a população não tem um conhecimento muito profundo dessa potencialidade. Não tem essa infraestrutura, por exemplo, de hotéis pra você ficar. A população tem esperança e gosta da ideia. Potencial a região tem, o grande problema é a infraestrutura que não tem. A UNESCO requer que haja uma estrutura para submeter ao selo de geoparque. A grande vantagem é ter uma comunidade voltada para o meio ambiente e interessada em criar um parque na região, para depois então criarmos um geoparque.

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