Segunda-feira, 18 de março de 2019

O trabalho da CPRM no monitoramento integrado das águas superficiais e subterrâneas

Rio Carinhanha, quinto maior afluente do Rio São Francisco Garantir a disponibilidade hídrica para as próximas gerações é uma preocupação que alcança toda a sociedade. No Brasil, onde muitas regiões dependem dos mananciais subterrâneos, mais da metade dos municípios brasileiros (53%) dependem de fontes hídricas subterrâneas para o abastecimento.

Assim, quanto mais se conhece a dinâmica das águas em nosso território, melhor será o dimensionamento de estruturas de armazenamento, a locação e otimização de poços. Além disso, mais bem amparados estarão o planejamento e a gestão dos recursos que em conjunto devem garantir ao mesmo tempo a suficiência hídrica e o seu uso sustentável.

Segundo o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM, Antônio Carlos Bacelar, há 50 anos a CPRM vem se dedicando à ampliação do conhecimento sobre as águas superficiais e subterrâneas e suas interações, desenvolvendo estudos nos diferentes aquíferos e bacias hidrográficas no país. “A CPRM assume um papel de liderança na ampliação do conhecimento da disponibilidade hídrica subterrânea e está envolvida em diversas iniciativas de monitoramento, gestão da informação hidrogeológica, pesquisa, estudo e cartografia hidrogeológica”, afirma Bacelar.

Desde a sua criação, a CPRM opera grande parte da Rede Hidrológica Nacional (RHN), gerenciada pela Agência Nacional de Águas (ANA). Essa Rede é composta de estações fluviométricas que monitoram os níveis e vazões dos rios e a qualidade de água levando em conta 5 parâmetros: temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, turbidez e pH. Esta rede é a base de informações da disponibilidade hídrica superficial do país e é utilizada no dimensionamento de estruturas hidráulicas diversas, inclusive nas de captação e armazenamento, que permitem aos usuários o acesso aos recursos hídricos.

Em 2009 o Serviço Geológico implantou e está operando a Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (RIMAS). Esta rede tem como objetivo monitorar permanente e continuamente o nível de água e sua qualidade em poços subterrâneos. Para suporte à interpretação dos dados são instaladas junto a algumas estações, plataformas que registram dados de chuva, umidade relativa e temperatura do ar.

Os resultados deste monitoramento devem propiciar, a médio e longo prazos, a identificação e a prevenção de possíveis impactos às águas subterrâneas em decorrência da explotação ou das formas de uso e ocupação dos terrenos, assim como estimativas cada vez mais precisas da disponibilidade do recurso hídrico subterrâneo. Atualmente, a Rede conta com 383 poços monitorando 30 aquíferos e abrangendo 20 estados brasileiros.

Outro produto importante utilizado na gestão de águas é o Sistema de Informações de Águas Subterrâneas (SIAGAS), que atua como um repositório de dados dos poços perfurados no Brasil. Atualmente este banco contém cerca de 305 mil poços cadastrados.

O chefe do Departamento de Hidrologia, Frederico Cláudio Peixinho, explica que as Redes de monitoramento assumem um importante papel no desenvolvimento de estudos hidrogeológicos que avaliam a ocorrência, potencialidades, circulação e utilização dos recursos hídricos subterrâneos, bem como na elaboração de mapas hidrogeológicos nacional e regionais.

Os representantes da CPRM , João Diniz e ANA, Márcia Gaspar em Seminário na cidade de Carinhanha (BA) “Esses dados reúnem estudos experimentais para testes metodológicos, tecnológicos e capacitação, a exemplo das bacias representativas do cerrado e semiárido, além de estudos hidroquímicos e isotópicos, de chuvas intensas, regionalização de vazões e dinâmica fluvial, mapeamentos hidrogeológicos regionais, em áreas consideradas especiais em vista da sua natureza geológica, hidrográfica e vulnerabilidade, como o caso do aquífero Urucuia e do semiárido nordestino e estudos de cartografia hidrogeológica em regiões metropolitanas”, destaca Peixinho.

A CPRM também desenvolve outros produtos como a cartografia hidrogeológica, que condensa informações sobre a geologia, sistemas aquíferos, poços existentes, precipitações que auxiliam na avaliação da disponibilidade hídrica, e o projeto de revitalização de poços, que permite o acesso para comunidades que não são abastecidas por água potável. Atualmente um projeto desta natureza está em desenvolvimento no estado de Pernambuco.

A CPRM a partir da análise de mapas hidrogeológicos, cadastro de poços, das demandas locais e visitas de inspeção, define os poços onde será estudada a viabilidade de sua revitalização, através da realização de teste de bombeamento e análise físico química das águas. Selecionados os poços a serem revitalizados, são instalados os equipamentos que permitem a extração de água.

“Em função da estiagem severa registrada nos últimos anos, especialmente nas regiões Sudeste e Nordeste do Brasil, a CPRM implantou, desde 2014, uma sistemática de disponibilização das informações monitoradas nos principais rios da região, em tempo quase real, com a publicação de previsões de vazões para os meses subsequentes, possibilitando que os usuários tomassem medidas para garantir o suprimento de água no período mais crítico”, afirmou a pesquisadora Alice Castilho.

Em termos de estudos integrados para ampliação do conhecimento hidrogeológico, a parceria entre a CPRM e a Agência Nacional de Águas (ANA) foi iniciada com a realização de trabalhos na ilha de São Luís, no Maranhão, e na região Urbana e Periurbana em Manaus, estando esses trabalhos em fase de conclusão.

Outro estudo importante em desenvolvimento está sendo realizado em parceria com a Agência Nacional de Águas, o Projeto Implementação da Gestão Integrada de Águas Superficiais e Subterrâneas na Bacia Hidrográfica do São Francisco: Sub-bacias dos rios Verde Grande e Carinhanha. Esse trabalho tem a intenção de alcançar 57 municípios, o que impacta cerca de 1.334 pessoas, favorecendo, entre outras ações, o desenvolvimento local e o uso sustentável das águas.

Paulo César Ferreira, estudante do colégio João Duque  em Carinhanha (BA), participa do Seminário de Gestão Integrada na cidade. Maria Antonieta Mourão, coordenadora técnica do projeto na bacia do rio Verde Grande, explica que esses estudos envolveram a análise integrada dos elementos naturais e antrópicos presentes na bacia e a identificação da influência ou condicionamento destes nos recursos hídricos. “Estamos em uma região cárstica, que é formada por rochas carbonáticas, onde existem cavernas, condutos,que promovem a conexão direta entre águas superficiais e subterrâneas. Deste modo, o uso intensivo da água subterrânea pode afetar o escoamento dos rios. a água superficial e subterrânea que estão diretamente interligadas. Assim o uso da água subterrânea afeta diretamente o rio”.

Os dados gerados pelos estudos vão fornecer informações necessárias para a implantação da gestão integrada, destaca Letícia Moraes, especialista em recursos hídricos da ANA.

Participação da comunidade- Para realizar esse levantamento, a participação da comunidade e das instituições de pesquisas locais é fundamental para traçar um panorama do uso atual da água e do volume já comprometido com as demandas, bem como conhecer a dinâmica hídrica.

Em um dos seminários realizados pela CPRM e ANA, na cidade de Carinhanha (BA) a população teve a oportunidade de conhecer o projeto. “Moramos em uma região em que quase não há informações sobre nossos recursos hídricos. A partir desse seminário os alunos puderam conhecer mais profundamente a importância da conservação do nosso rio. Nós pretendemos levar adiante o conhecimento repassado aqui para as demais turmas do colégio, fazendo com que a nossa cidade interaja mais nas questões hídricas do município”, conta o professor da escola pública, Roberto Carlos Machado.

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