Quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Santa Catarina será o primeiro estado a receber diagnóstico sobre áreas de risco

 Avaliação de áreas de risco geológico no município de Salto Veloso

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) iniciou neste mês de janeiro as atividades de campo para o mapeamento das áreas de risco do Estado de Santa Catarina. No total, 80 pesquisadores da CPRM vão se envolver no projeto que deve durar 18 meses. O trabalho resultará no diagnóstico completo do Estado, tanto na identificação das áreas de risco, como nas áreas suscetíveis a movimento gravitacionais de massa e inundação. O trabalho tem caráter inédito. Pela primeira vez no Brasil, será aplicada a metodologia de análise de Perigo e Risco, desenvolvida em cooperação com o governo japonês (Projeto GIDES) em cinco municípios-pilotos.

Celebrado entre o Governo do Estado de SC, por meio do Fundo Estadual de Proteção de Defesa Civil (FUNPDEC) e a CPRM, o convênio tem o valor total de R$ 4.712.596,00 e possui quatro metas. A primeira corresponde a identificação dos setores de Risco Alto e Muito Alto para movimentos gravitacionais de massa e inundação. A segunda, refere-se a cartas de suscetibilidade, a terceira ao mapeamento de Perigo e Risco baseado na metodologia desenvolvida no Projeto GIDES. A quarta meta envolve a modelagem de suscetibilidade.

De acordo com a chefe da Divisão de Geologia Aplicada do Departamento de Gestão Territorial (DEGET) da CPRM, Sandra Fernandes da Silva, o objetivo do mapeamento é criar uma base de dados com informações precisas para prevenção de desastres. “Santa Catarina será o primeiro estado Brasileiro com diagnóstico completo sobre as áreas suscetíveis a desastres naturais, como deslizamentos, quedas de blocos e inundações e das áreas de Risco Alto e Muito Alto”, relata.

Sandra destaca ainda que a identificação dos riscos geológicos e hidrológicos, especialmente em áreas habitadas, permitirá a ação preventiva, que pode ocorrer por meio da incorporação das informações nos planos diretores evitando ocupações irregulares, bem como a possibilidade, em áreas de risco já habitadas, de emitir alertas mais precisos, protegendo a vida da população.

Conheça as metas do convênio:

Setorização de Risco -

Uma das metas estabelecidas pelo convênio se refere ao mapeamento de áreas de risco geológico alto e muito alto, em 185 municípios do Estado de Santa Catarina, em escala de detalhe. Cerca de 40 técnicos lotados no Departamento de Gestão Territorial (DEGET) estão envolvidos nessa tarefa.
O trabalho será dividido em três etapas. A primeira consiste no levantamento de dados geológicos-geotécnicos do município, como histórico de ocorrência de desastres naturais.

Na segunda etapa serão realizadas atividades de campo em regiões habitadas, com o objetivo de identificar, caracterizar e delimitar as áreas submetidas a risco geológico associado a processos de movimentos gravitacionais de massa, erosões e inundações. Os produtos finais, representam a terceira etapa. Correspondem ao relatório técnico, pranchas descritivas de cada área de risco mapeada, e de arquivos SIG contendo os setores de risco georreferenciados.

 Pesquisadores durante avaliação de áreas de risco geológico no município Leoberto Leal

Cartas de Suscetibilidade -

Outra meta do convênio são as Cartas de Suscetibilidade a Movimentos Gravitacionais de Massa e eventos de natureza hidrológica. Esta carta representa o modelo matemático que traduz as características de maior ou menor potencialidade do meio físico frente aos principais processos naturais. A pré-carta de suscetibilidade será modelada para os 238 municípios de Santa Catarina, a qual após a avaliação dos técnicos em campo passa constituir a carta final de suscetibilidade. Em SC essa avaliação será feita para 40 municípios. A equipe de execução desta meta será composta por 25 pesquisadores.

De acordo com Sandra, as defesas civis municipais e estadual utilizarão os produtos gerados pelo convênio como planos de informação nas ações de prevenção e resposta frente a desastres naturais. Já a gestão municipal empregará o todo esse conhecimento nas políticas de habitação e estratégias de ocupação do solo.

 Equipe em trabalho de campo para validação dos modelos de suscetibilidade

Nova metodologia de avaliação -

A terceira meta do projeto se refere a produção de cinco cartas de Perigo e Risco empregando os métodos de avaliação do Manual de Mapeamento do Projeto GIDES, desenvolvido em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Cerca de15 pesquisadores participarão desse trabalho. Trata-se de uma metodologia inédita no país, que vai contribuir para o ordenamento territorial dos municípios.

A primeira etapa corresponde a definição das áreas de interesse do município, por exemplo, comunidades em risco. A segunda etapa representa a análise de Perigo, através da identificação, delimitação e qualificação das feições de instabilidade do terreno. A terceira etapa, análise de Risco, correlaciona a análise da vulnerabilidade das construções com as áreas de Perigo. Os produtos finais correspondem a cartas de Perigo e Risco na escala 1:2.000.

Segundo o pesquisador do DEGET, Thiago Dutra, a modelagem para a identificação das áreas de perigo está sendo validada e calibrada nos municípios pilotos. "A qualidade dos nossos produtos dependia muito do conhecimento das defesas civis locais. Áreas potenciais não eram avaliadas. Com esse novo método teremos um panorama das áreas Perigo antes mesmo de irmos à campo. Isto permitirá realizar a análise preliminar muito mais rápida e diminuirá a subjetividade na delimitação do atingimento. Obtivemos resultados bem satisfatórios até o momento. Entretanto, para ser acurado necessitamos de base cartográfica, imagens de satélite, ortofotos, modelos digitais de terreno em escalas de detalhe", explicou Thiago.

 Equipe CPRM durante o Workshop sobre o Método GIDES com os representantes da Defesa Civil Estadual de Braço do Norte e Santo Amaro da Imperatriz

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