Quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Serviço Geológico acompanha estiagem dos rios da bacia amazônica

De acordo com o Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico da Amazônia Ocidental, publicado na última sexta-feira (17) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), as bacias dos rios do Amazonas apresentaram níveis assimétricos. No Amazonas, municípios da região do Alto Solimões, nos rios Javari, Jutaí, Juruá e Purus, estão com cotas baixas para essa época do ano. O cenário futuro indica o retorno das chuvas, tendo em vista que o período seco se encerra ainda este mês.

Bacia do rio Madeira encontra-se em zona de atenção para mínimas Enquanto na parte mais a oeste e sul da bacia, os níveis estão abaixo do esperado, na parte mais baixa e a leste, e os tributários localizados ao norte da bacia experimentam níveis acima do esperado. “Isso mostra o quão grande é a bacia amazônica e o fato de que não se pode falar de maneira generalizada quando se observa um fenômeno em determinado ponto da bacia, muitas vezes não representa o todo”, explica o pesquisador em geociências, Andre Martinelli.

Em Rondônia, o nível do rio Madeira está na zona de atenção para mínimas na estação de Pedras Negras. Nas demais estações, o rio se encontra em nível normal para o período. Conforme boletim do SGB-CPRM, é provável que o rio se mantenha abaixo da cota de referência de 2,58 metros de modo persistente até o final da estação chuvosa. Caso esse ritmo de vazante se mantenha até o final de setembro, o rio pode alcançar a cota mínima de 2,17 metros.

Em Humaitá, no estado do Amazonas, o processo de vazante do rio Madeira está com níveis no limite inferior da faixa de maior permanência, houve uma diminuição na intensidade de descida no nível da água, porém ainda há uma probabilidade de vazante severa nesta região.

Monitoramento dos rios
Os níveis do rio Branco nas estações de Boa Vista e Caracaraí, que na semana anterior estavam elevados para a época, tiveram grande baixa e hoje (22) estão com valores bem próximos da mediana de seus dados históricos.

Já as estações monitoradas no rio Negro permanecem acima do esperado para a época, característica mantida pelo acúmulo de chuvas com anomalias positivas na região, conhecida como Cabeça do Cachorro. Em 75% dos anos, desde 1903, a cota máxima ocorre no mês de junho e em 19% no mês de julho. A partir daí, o rio Negro tende a iniciar seu processo de vazante até que atinja a cota mínima.

Na bacia do rio Solimões, em Tabatinga, a cota observada continuou a retomada de subida, mantendo-se na faixa de maior permanência. Esse fenômeno acontece devido a um pulso de subida bastante recorrente para esta época do ano, porém ainda não é sinal de final do processo de vazante. Nas estações de Fonte Boa, Itapéua e em Manacapuru, as cotas do rio Solimões permanecem dentro da normalidade para o período.

Na bacia do rio Purus, no Rio Branco, o rio Acre encontra-se em processo de vazante severa, em que não foi possível quantificar a atualização do nível. Na sua foz, na estação de Beruri, o rio Purus mantém o processo normal de vazante com níveis dentro da faixa de maior permanência.

Nas estações de Itacoatiara, Parintins e Careiro, na Bacia do rio Amazonas, as cotas se mantêm acima do que se espera para a época.

De acordo com Martinelli, alguns fenômenos climáticos globais, como o El niño, favorecem a situação de seca observada nos rios da parte ocidental do Amazonas: “São eventos globais, de grande escala, que influenciam no déficit de chuvas na região da Amazônia ocidental, onde se encontram as cabeceiras das bacias ”, afirma.

O Boletim de Monitoramento Hidrometeorológico da Amazônia Ocidental é feito em parceria com a Agência Nacional da Água (ANA) e com o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM).

Janis Morais
Eduarda Vasconcelos
Bettina Gehm
Assessoria de Comunicação (ASSCOM)
Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM)
asscom@cprm.gov.br
  • Imprimir