Quarta-feira, 05 de dezembro de 2018

Zoneamento Agrogeológico do Brasil é apresentado em seminário sobre remineralizadores de solo

Abertura do seminário com participação do presidente do SGB/CPRM e da secretária Maria José Salum, do MME A primeira versão do Zoneamento Agrogeológico do Brasil (ZAG), realizado em conjunto pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM) e pela Embrapa, foi divulgada nesta terça-feira (04/12), durante o Seminário Remineralizadores de Solos. O evento foi organizado pelo grupo de trabalho interministerial que trata do tema remineralização, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Entre os resultados do projeto está um mapa com o cruzamento de informações sobre zonas de consumo de agrominerais e regiões com potencial de produção desses insumos.

O ZAG mostra que praticamente 100% das regiões cultivadas do País estão próximas a áreas com potencial de oferta de agrominerais como fonte de potássio (K), cálcio (Ca) e magnésio (Mg). Também aponta o potencial de outros insumos para a agricultura, como fósforo (P) e microelementos. O Brasil é altamente dependente da importação de fertilizantes solúveis para suprir a demanda desses nutrientes, e o trabalho de zoneamento visa encontrar alternativas para reduzir essa dependência.

“Estamos mostrando como esses dois setores, agrícola e mineral, podem atuar para tentar reduzir o uso de insumos importados, de custo elevado para os produtores. Outra vertente é o incentivo ao aproveitamento de rejeitos de mineração e da indústria de transformação mineral, que constituem um sério problema ambiental”, afirmou o diretor presidente do SGB/CPRM, Esteves Pedro Colnago.

Em sua abertura, o evento contou ainda com a presença da secretária de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do MME, Maria José Salum, do presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, e do ex-ministro Alysson Paulinelli, que também destacaram os aspectos econômicos e ambientais do projeto.

Veja o Resumo do Zoneamento Agrogeológico do Brasil (ZAG) O pesquisador da Embrapa Cerrados Eder Martins, um dos responsáveis pelo trabalho, afirmou que o processo de remineralização de solos é algo que acontece naturalmente no meio ambiente e que pode ser reproduzido pelo homem. Martins disse ainda que esses minerais não são apenas fontes de nutrientes para as plantas, eles também alteram as características e melhoram o solo.

“É fundamental entender a conexão entre os sedimentos de rochas moídas naturalmente e a remineralização. Se somarmos os depósitos glaciais e os ambientes vulcânicos e fluviais, vamos ter o centro de origem das plantas que nós cultivamos. Na realidade, a remineralização de solos é um processo que a natureza inventou, e nós estamos apenas imitando”, afirmou o pesquisador.

Veja a apresentação do pesquisador da Embrapa Cerrados Eder Martins

Martins destacou ainda que o consumo de nutrientes solúveis importados cresceu entre 20% e 50% acima da produtividade agrícola entre 2009 e 2016, o que mostra aumento do peso dessas despesas para o setor. Além disso, esses produtos têm mostrado baixa eficiência nos solos de clima tropical. “Um dos objetivos do uso dos remineralizadores é aumentar a eficiência do uso desses nutrientes”, afirmou.

De acordo com o pesquisador do Serviço Geológico do Brasil Elias Martins Prado, que também participou da elaboração do ZAG, o estudo também aponta que, a partir das informações geológicas disponíveis até o momento, há carência de oferta de agrominerais nas porções centro-sul do Mato Grosso e Noroeste da Bahia, o que demanda investimento em conhecimento para descoberta de novas fontes nessas áreas.

SEMINÁRIO
A pesquisadora Alessandra Blaskowski, do SGB/CPRM No seminário, também foram apresentados o trabalho de pesquisa com agrominerais realizado em Irecê e Jaguarari (Bahia) pela pesquisadora Alessandra Blaskowski, do SGB/CPRM, e a palestra da doutora Ieda Mendes, da Embrapa, sobre o tema qualidade do solo.

Veja a apresentação da pesquisadora Alessandra Blaskowski, do SGB/CPRM
O evento contou ainda com palestra do consultor do SGB/CPRM Antonio Lício sobre a avaliação econômica do uso dos remineralizadores de solos. Além disso, diversos produtores dos setores agrícola e mineral, além de gestores e técnicos que estiveram presentes ao evento participaram de sessão de perguntas e relatos de experiências sobre o tema remineralização.

Pelo SGB/CPRM, participaram desses debates os diretores Antônio Carlos Bacelar (Hidrologia e Gestão Territorial) e José Leonardo Andriotti (Geologia e Recursos Minerais), além do assessor da presidência Paulo Romano, representante da empresa no grupo de trabalho interministerial.

O economista e consultor do SGB/CPRM Antonio Lício Entre os trabalhos realizados pelo Serviço Geológico está o Projeto Fosfato, no qual foram estudadas áreas com ambiente geológico favorável em todo Brasil. Muitas demonstraram elevado potencial. Atualmente, o projeto também está em andamento na Bacia do Amazonas e na Bacia Sergipe-Alagoas.

Estão em fase de elaboração projetos estaduais (TO e RR), além de estudos mais localizados na Bahia, com vistas ao uso como remineralizadores para a agricultura.

SOBRE A REMINERALIZAÇÃO
O Brasil é altamente dependente da importação de matérias-primas para a formulação de fertilizantes. Além disso, esses produtos apresentam baixa eficiência em solos de países de clima tropical e subtropical.
Uma alternativa para aumentar a eficiência de uso de nutrientes nas condições brasileiras e reduzir importações é a utilização de agrominerais produzidos regionalmente.

Também conhecido como “pó de rocha”, o remineralizador de solos aumenta a eficiência de uso dos macronutrientes essenciais (nitrogênio, fósforo e potássio) e secundários (cálcio, magnésio e enxofre), além de, muitas vezes, disponibilizar micronutrientes também muito importantes, como silício, manganês, ferro, zinco, cobre, selênio, entre outros.

Eduardo Cucolo
Assessor da Presidência
Serviço Geológico do Brasil - CPRM
Ministério de Minas e Energia
Setor Bancário Norte - Quadra 02, 5º andar, Sala 502/D
Edifício Central Brasília
Brasília - DF - CEP: 70040-904
Fone: (61) 98167-7015 / (61) 2108-8480
  • Imprimir

© Copyright CPRM 2016-2018. Todos os direitos reservados.