Rochas Carbonáticas de Apuí - AM

Objetivo e Justificativas

O projeto se propõe a realizar uma pesquisa de rochas carbonáticas a partir do levantamento de seções sedimentares ao longo de trechos fluviais dos rios Sucundurí, Acari, Juma e Jatuarana, além de alguns quilômetros da BR-230 (Transamazônica) e vicinais da Área de Assentamento do INCRA (Projeto Juma).

Nessas seções, o reconhecimento expedito das rochas, em especial as rochas carbonáticas, permitirá definir a extensão de suas ocorrências, sua faciologia, sistemas e ambientes deposicionais e aspectos diagenéticos. A avaliação do tipo de carbonato (magnesiano ou calcítico) norteará seu futuro aproveitamento como corretivo de solo à agricultura, complementando ações da iniciativa privada e contribuindo para a otimização da oferta e o suprimento de insumos minerais à agricultura, o que assegurará o aumento da produtividade e a expansão das atividades do setor.

A região sudeste do estado do Amazonas detém, atualmente, o maior assentamento agrícola realizado pelo INCRA no país, o que torna de suma importância para a área em foco a pesquisa de rochas carbonáticas - área cujo solo, atualmente voltado à agricultura primária, tem se revelado de natureza ácida. O corretivo atualmente empregado na região vem sendo importado dos estados de Mato Grosso, Rondônia e Pará, onerando, portanto, os custos com a produção agrícola da região.

Os estudos geológicos previstos darão ênfase a uma ampla área de cobertura sedimentar, cujas prévias ocorrências de rochas carbonáticas e fosfáticas têm sido mencionadas por Liberatore et al. (1972), Santos et al. (1975), Bizzinella et al. (1980), Santiago et al. (1980), Carvalho & Figueiredo (1982), Riker (1997), Reis et al. (2002) e Ferreira et al. (2003).


Localização e Acesso

A região a ser investigada reúne duas principais áreas que, em conjunto, representam aproximadamente 18.739 km²:
1 - Área Jatuarana (1.364 km²) - situada entre os paralelos 7º20'00" S e 7º40'00" S e os meridianos 60º10'00" W e 60º30'00" W (Folha SB.20-Z-D, Rio Roosevelt), inclui o Rio Jatuarana, a sul da BR-230 (Transamazônica).
2 - Área Acari - Sucundurí (17.375 km²)- situada entre os paralelos 6º50'00" S e 7º50'00" S e os meridianos 58º40'00" W e 60º05'00" W (Folha SB.21-Y-C, Rio Acari), inclui parte das bacias dos rios Acari e Sucundurí, a sul da BR-230.

O acesso à região é feito pelas vias aérea, fluvial e/ou terrestre, demandando marcantes diferenças de tempo (de horas para dias) para cada meio de transporte utilizado. Por via terrestre, em utilização da BR-319 (Manaus - Porto Velho), cruza-se o Rio Amazonas até a localidade do Careiro da Várzea, para então percorrer aproximadamente 630 km da referida rodovia até Humaitá, limite com o estado de Rondônia. Essa estrada há tempos está em péssimas condições de tráfego. Daí, são mais 400 km até Apuí pela Transamazônica (BR-230) em estrada carroçável. Por via aérea, parte-se de Manaus até Apuí, em utilização de linha comercial pela Apuí Táxi Aéreo, com tempo aproximado de 1 hora e 50 minutos. Por via fluvial, a partir de Manaus, utiliza-se o trecho do Rio Amazonas até a foz do Rio Madeira, nele navegado até a localidade de Novo Aripuanã, numa estimativa de viagem em torno de dois dias e meio. De Novo Aripuanã toma-se nova embarcação para atingir a foz do Rio Juma e faz-se o percurso no seu baixo curso até a altura do KM-130 de uma vicinal que conduz à sede de Apuí, estimando-se um tempo em torno de um dia e meio de viagem. Somado ao trecho anterior, totaliza quatro dias de percurso. Outra opção está no percurso pelo Rio Madeira até Humaitá, com estimativa de três dias de viagem. Daí, são mais 400 km até Apuí pela Transamazônica (BR-230) em estrada carroçável.



Localização e Acesso


Geologia Regional

As áreas de sedimentação pré-cenozoicas da porção sul do Cráton Amazonas (Escudo Brasil Central) têm sido foco de variadas propostas de denominações estratigráficas (Prosperança, Acari, Cubencranquém, Gorotire, Beneficente, Prainha, Palmares, Jatuarana, Riozinho do Anfrísio, Triunfo, Buiuçu etc.), estabelecimentos cronológicos (proterozoico, paleozoico e mesozoico), caracterização litológica (presença de rochas carbonáticas e tufáceas) e aspectos regionais como metamorfismo e/ou dobramento.

O Grupo Beneficente foi originalmente definido por Almeida & Nogueira Filho (1959) no Rio Aripuanã (localidade do Seringal Beneficente). Liberatore et al. (1972) mencionaram a existência no Rio Camaiú de uma unidade vulcanossedimentar, tabular, sobrejacente e em discordância ao Beneficente. A extensão do grupo à região do Alto Tapajós deveu-se a Santos et al. (1975), que revelaram analogias com a Formação Gorotire, originalmente descrita por Barbosa et al. (1966) na região Xingu - Araguaia, centenas de quilômetros à leste.

Na Bacia do Tapajós, a SUDAM/GEOMITEC (1976) inferiu parte das rochas sedimentares na Formação Prosperança, cabendo a Bizinella et al. (1980) mencionar sua inaplicabilidade para as rochas além da borda sul da Bacia do Amazonas e retomar a definição "Beneficente", estabelecendo-o ao Proterozoico. Santiago et al. (1980) identificaram duas distintas sucessões sedimentares na região dos rios Tapajós, Teles Pires e Juruena: inferior, representada por rochas de origem continental da Formação Palmares, cronologicamente equivalentes ao Grupo Beneficente; e superior, representada por litologias dominantemente marinhas, atectônicas e de provável idade paleozoica, que agrupou as formações Borrachudo, Capoeiras, São Benedito, Ipixuna e Navalha.

As formações São Benedito e Navalha já haviam sido descritas por Moura (1932). Sob a designação de Grupo Jatuarana, Bizinella et al. (1980) congregaram as formações provavelmente siluro-devonianas (fossilíferas) das bacias dos rios Tapajós (alto curso) e Aripuanã (afluente esquerdo Jatuarana). Carvalho & Figueiredo (1982) estenderam a denominação "Beneficente" para o Rio Sucundurí, reunindo rochas siliciclásticas e carbonáticas na localidade de Terra Preta. Por meio de furos de sondagem, estabeleceram uma discordância erosiva entre o Beneficente e uma unidade sedimentar arbitrariamente relacionada à Formação Cubencranquém de Barbosa et al. (1966), na região do Rio Xingu. Na bacia do Rio Jamanxim, Pessoa et al. (1977) mencionaram a presença de tufos cineríticos na porção mediana da Formação Cubencranquém, bem como seu recobrimento sobre o Grupo Beneficente e Formação Gorotire, esta considerada como uma possível variação lateral do grupo e secionada pela soleira básica Crepori.

Reis et al. (2002) estendem a quase totalidade da estratigrafia da Bacia do Alto Tapajós ao Paleozoico, mencionando a existência de um embasamento sedimentar mais antigo relacionado à Formação Buiuçu (ao norte) e ao Grupo Beneficente (ao sul). Ferreira et al. (2003) registraram duas principais unidades sedimentares na região de Apuí - Grupo Beneficente (paleoproterozoico) e Formação Ipixuna (permiano) - não revelando, contudo, critérios lito e cronoestratigráficos na sua distinção.


Resultados Esperados

  • Contribuição à lito, bio e cronoestratigrafia da região; identificação e avaliação do potencial mineral para rochas carbonáticas e fosfáticas de parte das bacias dos rios Jatuarana, Juma, Acari e Sucundurí, além de trecho da BR-230 e vicinais da área de Assentamento do Projeto Juma (INCRA).
  • Implementar base de dados e cartografia geológica em SIG, de modo a possibilitar o acesso aos informes de geologia e recursos minerais, em especial às ocorrências de rochas carbonáticas, por órgãos públicos e entidades privadas, para estudos de planejamento territorial, agrário, ambiental e hidrogeológico, dentre outros.



Referências Bibliográficas

Almeida F.F.M. de, Nogueira Filho J. do V. 1959. Reconhecimento Geológico do Rio Aripuanã. DNPM, Rio de Janeiro, Boletim da Div. Geol. Min., 199: 1-43.

Barbosa et al. 1966. Geologia estratigráfica, estrutural e econômica da área do "Projeto Araguaia". Rio de Janeiro, Monografia da Div. Geol. Min., 19: 1-94.

Bizinella G.A., Santiago A.F., Melo A.F.F. de, Santos A. dos, Borges F.R., Godoy H.K., Yamaguti H.S., Oliveira J.R. de, Carmona J.R.M., D'Antona R. de J.G., Oliveira R.L. 1980. Projeto Tapajós - Sucundurí. In: BRASIL, Ministério das Minas e Energia. Convênio DNPM/CPRM, Relatório Inédito (s. ident.) 8 v.

Carvalho M.S. de, Figueiredo A.J. de A. 1982. Caracterização Litoestratigráfica da Bacia de Sedimentação do Grupo Beneficente no Alto Rio Sucundurí-AM. In: SBG/Núcleo Norte, Simp. Geol. Amaz., 1, Belém, Anais: 26-44.

Ferreira A.L., Rizzotto G.J., Quadros M.L.E.S., Bahia R.B.C., Oliveira M.A. 2003. Folha SB.21- Tapajós. In: Schobbenhaus, C. et al. (eds). Carta do Brasil ao Milionésimo, Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil, CPRM, Brasília, CD-Rom.

Liberatore G., Alecrim J.D., Medeiros J.B. de, Malouf R.F., Pinheiro S. da S., Achão S.M., Santos J.O.S. 1972. Projeto Aripuanã-Sucundurí. In: BRASIL, Ministério das Minas e Energia. Convênio DNPM/CPRM, Relatório Inédito (s. ident.), 8 v.

Moura P. de 1932. Reconhecimentos geológicos no Vale do Tapajós. MA/SGM. Rio de Janeiro.

Pessoa M.R., Santiago A.F., Andrade A. F. de, Nascimento J. O. do, Santos J. O.S., Oliveira J.R. de, Lopes R. da C., Prazeres W.V. 1977. Projeto Jamanxim. In: BRASIL, Ministério das Minas e Energia. Convênio DNPM/CPRM, Relatório Inédito (s. ident.), 8 v.

Reis N.J., Riker S.R.L., Pinheiro S. da S. 2002. Terrenos sedimentares da região dos rios Tapajós, Teles Pires e Juruena. In: SBG, Cong. Bras. Geol., 41, João Pessoa, PB. Anais: 392.

Riker S.R.L. 1997. Avaliação sobre a Potencialidade de Calcário para Agricultura no Estado do Amazonas. In: PIMA - Programa de Avaliação Geológico-Econômica de Insumos Minerais para a Agricultura no Brasil, CPRM, Manaus, Relatório Interno, 13 p.

Santiago A.F., Santos J.O.S., Maia R.G.N. 1980. Estratigrafia Preliminar da Bacia Sedimentar do Alto Tapajós. In: SBG, Cong. Bras. Geol., 31, Camboriú, Anais 2: 786-797. Santos D.B. dos.
Fernandes P.E.C.A., Dreher A.M., Cunha F.M.B. da, Basei M.A.S., Teixeira J.B.G. 1975. Geologia da Folha SB.21-Tapajós. In: BRASIL, DNPM. Projeto RADAMBRASIL. Cap. I - Geologia. Rio de Janeiro. (Levantamento de Recursos Naturais, 7).


Execução do Projeto

Superintendência Regional de Manaus

© Copyright CPRM 2016. Todos os direitos reservados.