Llewellyn Ivor Price

À esquerda, após se formar nos EUA (1936); e à direita, em 1970, ano em que se tornou titular da Academia Brasileira de Ciências. Nascido em 1905 (Santa Maria, Rio Grande do Sul) e falecido em 1980 (Rio de Janeiro), Price foi um dos mais ativos paleontólogos do país e é mundialmente conhecido por suas contribuições em ciências paleontológicas. Antigo aluno de A. S. Romer, Price coletou numerosos espécimes, os quais constituíram - e ainda constituem - a base para numerosos estudos científicos.


O centenário de um artesão da ciência
Llewellyn Ivor Price foi fundamental para o desenvolvimento da pesquisa paleontológica nacional. Quando Llewellyn Ivor Price resolveu voltar ao Brasil em 1940, após alguns anos de formação nos Estados Unidos, tinha um desafio pela frente: como fazer pesquisas paleontológicas onde sequer havia especialistas? O gaúcho não se intimidou: decidiu criar ele mesmo as condições para o desenvolvimento da ciência em seu país. Com o apoio do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o pesquisador hoje considerado o pai da paleontologia de vertebrados no Brasil começava a escrever sua história.

Price nasceu em 9 de outubro de 1905, na cidade de Santa Maria (RS). Filho de pais americanos, estudava química nos Estados Unidos quando descobriu sua vocação de forma inusitada. Viajando pelo Arizona, soube por acaso que o professor Barnum Brown, da Universidade de Chicago, iria iniciar escavações na região. Price conseguiu uma vaga em sua expedição e se apaixonou pela profissão. Brown, então, o indicou para a Universidade de Oklahoma, onde se graduou em zoologia e geologia.

Depois de trabalhar como professor em Harvard e publicar alguns trabalhos nos EUA, Price veio para o Brasil, a convite do DNPM. O país já era, reconhecidamente, um campo vasto para a paleontologia. No entanto, por falta de estrutura, os estudos eram feitos quase exclusivamente por cientistas estrangeiros. A vinda de Price foi parte de um esforço do governo brasileiro, que desde o final da década de 1930 começou a investir no estabelecimento de uma metodologia científica para a exploração de minérios. Era preciso começar do zero e, por isso, o paleontólogo trabalhou na criação de laboratórios de pesquisa, treinamento de pessoal e sobretudo na melhoria da biblioteca do DNPM, onde havia pouco material.

“Seu objetivo era dar não apenas uma grande contribuição para o avanço da paleontologia, mas trabalhar para a construção do mapa geológico brasileiro”, afirma o paleontólogo Diógenes de Almeida Campos, diretor do Museu de Ciências da Terra, que trabalhou com Price por 13 anos e é curador da exposição comemorativa do centenário de seu nascimento.

Embora Price estudasse répteis, analisou também anfíbios, mamíferos e peixes, já que as pesquisas nacionais eram incipientes em todos as suas vertentes. Entre os achados mais significativos do gaúcho estão o peirosaurus torminni e o baurusuchus pachecoi, duas espécies de crocodilomorfos do cretáceo que incentivaram a criação de linhas de pesquisa para o estudo de registros pré-históricos do animal. Price reuniu a coleção de vertebrados mais completa do país, hoje no acervo do DNPM.

Parte significativa desse material foi descoberta no sítio arqueológico de Peirópolis, em Uberaba (MG). Ainda na década de 1940, foi o primeiro paleontólogo a estudar a região, onde permaneceu por mais de 20 anos. Tanta dedicação rendeu uma bela homenagem: o Centro de Pesquisas Paleontológicas de Peirópolis, inaugurado na década de 1990, recebeu o nome de Llewellyn Ivor Price e é hoje uma referência no país.

O paleontólogo participava ativamente de todas as etapas da pesquisa, desde o trabalho de campo até a descrição dos fósseis. Exímio desenhista, fazia questão de retratar suas descobertas sozinho. Tinha seu próprio ritmo de trabalho, pautado pelo estudo comparado de todas as referências que pudesse obter. Segundo Diógenes, era um verdadeiro artesão da ciência, só publicando um trabalho quando considerava haver atingido a excelência, tanto na pesquisa quanto na descrição de suas descobertas.

Perguntado sobre o tempo necessário para classificar um fóssil, respondeu prontamente: “um segundo ou nunca”. Trabalhava em diversos projetos ao mesmo tempo, raramente considerando um deles por encerrado. Apesar de tanto rigor, publicou mais de 50 pesquisas, onde são descritas cerca de 20 novas espécies de vertebrados. Além disso, orientou alguns dos mais respeitados paleontólogos do país, como Paula Couto e Mario Costa Barberena.

Também foi fundador da Sociedade Brasileira de Paleontologia e da Sociedade Brasileira de Geologia. “Além de ser cientista 24 horas por dia, era um marido e um pai excepcional”, afirma Diógenes Campos. O pesquisador era casado com Glória, bibliotecária do DNPM, com quem teve três filhos. Faleceu em 1980, aos 75 anos, vítima de um ataque cardíaco.


Llewellyn Ivor Price - Resumo
Llewellyn Ivor Price nasceu em 1905, no Rio Grande do Sul. Filho de pais norte-americanos, Price forma-se em Harvard e volta ao Brasil na década de 30. Nessa época, ele encontra o primeiro dinossauro brasileiro, cuja espécie tem seu nome. É o staurikosaurus pricei e seu esqueleto foi localizado perto de Santa Maria (RS).

Price foi contratado pelo governo brasileiro na década de 40 como paleontólogo e, pouco depois, entre 1945 e 1947, encontrou o sítio fossilífero de Peirópolis, cidade mineira distante 20 quilômetros de Uberaba, no Triângulo Mineiro. É o único sítio no Brasil onde foram encontrados ovos fossilizados de dinossauros.

Em 1947, Price achou a vértebra de um saurópoda na Ilha do Livramento, no Maranhão. Era um animal de quatro pernas, herbívoro, de tamanho avantajado e, devido a essa característica, era extremamente lânguido, não se movia com rapidez. Dizia-se na comunidade científica que o local era constituído de rochas do terciário e Price comprovou que as rochas eram do cretáceo, um período mais antigo.

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