Viktor Leinz

"A Geologia é uma ciência complexa e elevada, à qual a Matemática, a Astronomia, a Física, a Química e a Biologia vêm trazer seus respectivos subsídios. Não se infere daí que o geólogo é um conhecedor profundo dessas matérias, mas sim que deve conhecer os seus fundamentos, utilizando mais dos efeitos que das causas dos fenômenos relativos àquelas ciências." (Viktor Leinz)

Viktor Leinz nasceu na Alemanha, em dezembro de 1904. Doutorou-se nas áreas de mineralogia e petrologia. Veio ao Brasil em 1935, a convite do Departamento Nacional da Produção Mineral - DNPM, para um contrato de dois anos. Aqui descobriu um mundo novo, com inúmeros desafios no campo da geologia e também das relações humanas. Retornou à Alemanha em 1937, mas a situação política reinante e a falta de perspectivas convenceram-no a retornar ao Brasil.

No Rio de Janeiro, além dos trabalhos no DNPM, foi professor na Universidade do Distrito Federal. Durante a Segunda Guerra, após o rompimento das relações diplomáticas do Brasil com a Alemanha, foi enviado ao Rio Grande do Sul para auxiliar no "esforço de guerra", encarregado da exploração de cobre da Mina do Camaquã. No Rio Grande do Sul pesquisou outras ocorrências de cobre e ouro e jazidas de carvão.

Depois da guerra, voltando ao Rio de Janeiro, trabalhou no Museu Nacional, onde foi encarregado de reorganizar a célebre coleção Werner, adquirida na Alemanha pela coroa portuguesa e trazida ao Brasil por Dom João VI. Em 1949, prestou concurso para professor catedrático da cadeira de geologia e paleontologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, com tese versando sobre os derrames basálticos do Sul do Brasil.


Como professor
No Rio de Janeiro e na USP foi grande incentivador do ensino através de aulas práticas. Estimulou a organização de coleções didáticas e a realização de seminários. Orientou jovens professores e pesquisadores de vários estados do Brasil que iam a São Paulo em busca de novos conhecimentos. Na área didática, publicou na década de 30 a primeira tabela para determinação de minerais (depois ampliada e reeditada em colaboração com João Ernesto de Souza Campos); o livro "Geologia Geral", em coautoria com Sérgio E. do Amaral (reeditado várias vezes); e o "Vocabulário Geológico", em colaboração com Josué C. Mendes (também reeditado).


Como pesquisador
Dedicou-se aos variados campos das geociências, tais como mineralogia, mineração, metalogenia, petrologia, sedimentologia, geotecnia e águas subterrâneas. Em 1948, juntamente com Glycon de Paiva, estudou as recém-descobertas ocorrências de manganês na Serra do Navio, no Amapá, dando ao governo federal sugestões para a política de pesquisa e exploração.


O curso de geologia
Na primeira década dos anos 50, Viktor Leinz e outros professores da Al. Glette estudaram a possibilidade de ser criado um curso de geologia na USP. As resistências eram grandes por parte da Escola Politécnica e da Faculdade de Filosofia. Na faculdade, a ideia de formar geólogos, isto é, "técnicos" era contrária à mentalidade de "bacharel", então reinante. Com muita persistência e empenho, principalmente por parte de Viktor Leinz, foi finalmente criado, em 1957, o Curso de Geologia.

Nessa época, também estava em estudo no Ministério da Educação, através da Campanha para a Formação de Geólogos - CAGE, a criação de cursos de geologia no Brasil. Viktor Leinz era um dos membros da CAGE e sua contribuição foi vital para a celebração do convênio CAGE/USP, o qual possibilitou a implementação do curso de São Paulo com recursos do governo federal. Em 1963, foi grande incentivador da criação do Laboratório de Geocronologia, como um empreendimento conjunto entre a USP e a Universidade da Califórnia (Berkeley).


A comunidade
Foi membro do Conselho Nacional de Pesquisas, do Conselho da FAPESP e da Academia Brasileira de Ciências e foi fundador da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, além de ter tido importante participação na Sociedade Brasileira de Geologia. Durante muitos anos fez parte do Conselho Curador da Fundação Visconde de Porto Seguro e foi vice-presidente da referida fundação, no período de 1970 a 1978.


O homem
Professor áustero, simpático e estimulador. Cientista com ampla visão humanística e espírito crítico aguçado. Idealista e otimista sobre as possibilidades e o futuro do Brasil.


Resumo
Nasceu na Alemanha, em dezembro de 1904. Doutorou-se nas áreas de mineralogia e petrologia. Veio ao Brasil em 1935, a convite do Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM, para um contrato de dois anos.

Retornou à Alemanha em 1937, mas a situação política reinante e a falta de perspectivas convenceram-no a retornar ao Brasil.

No Rio de Janeiro, além dos trabalhos no DNPM foi professor na Universidade do Distrito Federal. Em 1949, prestou concurso para professor catedrático da cadeira de geologia e paleontologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, com tese versando sobre os derrames basálticos do Sul do Brasil.

Publicou os livros "Geologia Geral", em coautoria com Sérgio E. do Amaral (reeditado várias vezes), e "Vocabulário Geológico", em colaboração com Josué C. Mendes (também reeditado).

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