Mão de Obra na Indústria de Água Mineral

Em qualquer indústria, a presença de um químico ou outro profissional qualificado na área de alimentos, de um técnico de laboratório, de um engenheiro de minas ou geólogo para controle e manutenção da captação, de pessoal administrativo, de contador e de seguranças é necessária para a base do funcionamento da empresa.

O quadro 8 ilustra o número mínimo de funcionários por linha de envase9.

 
Quadro 8 - Número Mínimo de Funcionários na Linha de Envase
FUNÇÃO DE OBRA
LINHA
LINHA
LINHA

 

Garrafão

Copinho

Descartáveis

Pessoal de posicionamento na lavadora

02----

Pessoal da Enchedora/Operadora

01

01

01

Pessoal no Visor

01

--

01

Pessoal na rotulagem

02

--

01

Empacotadores

--

04

01

Montadores de palete

    0310

--

01

Total

09

05

05



Apesar de os geólogos e engenheiros de minas serem os únicos profissionais que podem responsabilizar-se pela execução de “serviços de planejamento, pesquisa, locação, perfuração, limpeza e manutenção de poços tubulares para exploração de água subterrânea11” , a indústria de água mineral e potável de mesa, por ser uma indústria de alimentos, necessita também de profissionais da área de alimentos. Profissionais de química, biologia e de engenharia de alimentos respondem, tecnicamente, pela indústria de água mineral ou potável de mesa, na parte que se refere à produção, higienização, padrões de qualidade e saúde dos funcionários.

A ANVISA12 preconiza em sua legislação a necessidade de profissional com curso de qualificação de pelo menos 40 horas na área de produção de alimentos.

O SENAI13 administra diversos cursos voltados para a área de alimentos e bebidas em diversos pontos do país. O mais importante centro de ensino da área de alimentos do SENAI está sediado no município de Vassouras, estado do Rio de Janeiro. Ali são oferecidos cursos específicos para essa área, inclusive um direcionado unicamente para a indústria da água mineral e potável de mesa. Esse curso tem a duração de 40 horas e capacita o formando a responder tecnicamente pela indústria de água mineral perante a ANVISA.

Outros cursos fornecidos pelo SENAI-Vassouras que qualificam o funcionário de uma indústria de águas minerais e potáveis de mesa são: Boas Práticas na Indústria de Alimentos e APPCC – Áreas de Perigo e Pontos Críticos de Controle. Todos esses cursos são oferecidos anualmente e, na maioria dos casos, estão disponíveis de duas a três vezes
ao ano.

O SENAI de Vassouras conta com a estrutura necessária para dar condições aos alunos para a vivência diária de uma indústria de alimentos. São diversas salas de produção de alimentos, onde os alunos participam de aulas práticas ou visitam suas instalações, dependendo do tempo de duração do curso. Além disso, dispõe de hotel, alojamento e refeitório, onde os alunos poderão se estabelecer durante o período de duração do curso.

O informativo eletrônico globaldrinks.com, da consultoria Zenith International, revelou um crescimento no consumo mundial de bebidas da ordem de 2,5% no ano de 2005, alcançando um volume de 1,4 trilhões de litros, correspondentes a 227 litros per capita.


 

Figura 12 – Consumo Global de Bebidas em 2005



Destacam-se como líderes de consumo Estados Unidos, China e Índia. O Brasil aparece como o quarto maior mercado nacional, superando o Japão.

A mudança nos hábitos alimentares das populações alterou sobremaneira o segmento de bebidas nos últimos anos. Ávidas por alimentos e bebidas mais saudáveis, essas pessoas passaram a consumir mais água e menos bebidas alcoólicas.

Isso não quer dizer que falte mercado para a cerveja e os refrigerantes, cujo consumo continua crescendo, contudo a tendência por bebidas não alcoólicas pode ser observada em todo o mundo.

O consumo global de bebidas não alcoólicas foi de 499 bilhões de litros, equivalentes a 77 litros per capita, com crescimento de 3,9% em relação ao ano de 2004 (Figura 12).

O avanço dos soft drinks foi liderado pelas águas, bebidas à base de frutas e bebidas funcionais. Espera-se que o consumo de água envasada supere o de refrigerantes até o ano de 2009, em função da preocupação dos consumidores com a saúde e o crescimento dos níveis de obesidade.

 

 

Figura 13 – O Mercado Global da Água Envasada



Destacam-se também os sucos concentrados, com um consumo próximo ao volume somado de dissolúveis, néctares e sucos de frutas.

As bebidas à base de leite e bebidas quentes disputam entre si por participação de mercado, embora a demanda por leite esteja enfraquecida pela popularidade dos refrigerantes entre as crianças, assim como pela grande demanda de água envasada e sucos de frutas pelos adultos. Ao mesmo tempo, as bebidas quentes estão perdendo espaço paras as bebidas frias, especialmente chá gelado.

As taxas de crescimento das bebidas alcoólicas têm se mantido estáveis, ainda que modestas. O álcool tem sofrido diversas mudanças de taxação pelos governos, ao mesmo tempo em que enfrenta a concorrência de novos hábitos de consumo.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR), o mercado de refrigerantes em 2004 registrou 5,5% de crescimento, o que representou 12,2 bilhões de litros.

 

 

Figura 14 – As Quatro Maiores Companhias do Mercado Mundial em 2004



O segmento dos refrigerantes movimenta hoje R$ 12 bilhões por ano no Brasil, que continua sendo o terceiro maior mercado de refrigerantes do mundo.

Em 2005, o setor de refrigerantes continuou avançando, registrando 12,4 bilhões de litros. Impulsionado pela tendência de consumo de produtos saudáveis, foram produzidos 337 milhões de litros de sucos e 62 milhões de litros de chás.

Em palestra realizada durante o 14º Congresso Brasileiro da Indústria de Águas Minerais e o 4º Congresso Internacional de Águas Minerais, realizados em Salvador em outubro de 2005, o diretor-consultor de Marketing da Zenith International, Jason Holway, apresentou dados que revelam que o mercado mundial de águas envasadas continua em expansão (Figura 13).

Segundo ele, o crescimento em 2004, de 7 bilhões de litros, foi bem inferior aos 13 bilhões de litros de 2003, mas ainda demonstra o grande potencial da categoria. Consideradas todas as formas de utilização, o volume total de produção em 2004 foi de 165 bilhões de litros (156 bilhões em 2003), dos quais foram envasados 152 bilhões de litros, correspondentes a um faturamento de 52 bilhões de dólares (Figura 14).

A Europa Ocidental respondeu por 28% da produção mundial, seguida da Ásia/Austrália, com 25%; América Latina, com 18%; América do Norte, com 16%; Europa Oriental, com 7% e África/Oriente Médio, com 6%.

Em média de consumo individual por região, a Europa Ocidental manteve a liderança, com 109 litros per capita/ano, seguida da América do Norte, com 79 litros, e da América Latina, com 50 litros. O consumo de água envasada nas Américas Central e do Sul fechou o ano de 2005 com 31 bilhões de litros, o que representou um crescimento de 3,4% sobre o volume de 2004, segundo a consultoria Zenith International. O balanço envolveu 20 mercados nacionais.

A liderança na região coube ao México, com um volume superior a 14 bilhões de litros em 2005, correspondente a 45% do volume total. O consumo per capita mexicano chegou a 130 litros/ano. Segundo a Zenith, a água envasada vem sendo considerada uma necessidade em muitos países latino-americanos em razão da baixa qualidade da água da rede pública.

 

Tabela 1



Assim, as vendas vêm registrando forte crescimento nos últimos anos, apesar das dificuldades econômicas que afetam muitos desses países há mais de uma década. A Zenith atribui o crescimento do consumo não apenas à percepção de que a água envasada é basicamente um suplemento alimentar, mas também à crescente consciência dos benefícios da água para a saúde e o bem-estar.

Contudo, em consumo por país, os Emirados Árabes Unidos são o país com maior consumo per capita, com 294 litros por ano. A Itália surge em segundo lugar, com 173 litros; em terceiro Malta, com 151 litros; seguido pela França, com 146 litros (Tabela 1).

Entre os 10 maiores produtores mundiais de água, responsáveis por mais de 103 bilhões de litros, destacam-se os Estados Unidos, com 23,6 bilhões no ano de 2004. Em seguida vêm México, com 13,9 bilhões; China, com 13,2 bilhões; e Itália, com 10,1 bilhões de litros (Tabela 2).

Enquanto a maioria das regiões dá preferência à água sem gás, Europa Ocidental e Oriental demonstram grande predileção por água com gás. Na primeira, são mais de 40% da produção envasada no ano e na segunda, mais de 60%.


Tabela 2



Quanto ao tipo de embalagem, prevalecem no mundo as descartáveis, especialmente entre 500 ml e 2 litros. Entretanto, há quatro países que são exceções marcantes, onde os garrafões são ampla maioria: México, com mais de 90% do mercado; China, com 60%; Indonésia, com 70%; e Brasil, com 60%. Nos Estados Unidos, os garrafões representam menos de 30% do mercado.

As maiores fatias do mercado estão nas mãos de companhias multinacionais - como Nestlé e Danone, com 12% do mercado global; Coca-Cola, com 7%; e Pepsi Company, com 4% -, as quais detêm em conjunto 35% do mercado mundial de águas, e continuarão se esforçando para aumentar sua participação nesse mercado promissor.

A preocupação com a falta de água potável e com a saúde alavanca o mercado de água. Toda a indústria de bebidas vem lançando produtos cada vez mais naturais, como água, sucos e chás. Em termos de faturamento, a líder é a Nestlé, com 17% da receita mundial, correspondentes a US$ 8,8 bilhões. A Danone fica com 12% (US$ 6,2 bilhões), a Coca-Cola com 9% (US$ 4,7 bilhões) e a Pepsi Company com 5% (US$ 2,6 bilhões).

Segundo Milke King, em seu livro Bottled Water - Global Industry Guide”14, o mercado de água envasada no mundo cresceu 7% em 2006, alcançando o valor de US$ 60,938.10 milhões. Já em volume, o crescimento foi de 8,1%, atingindo a marca de 115.393,50 milhões de litros. A previsão de King era de um crescimento de 41,8% entre 2006 e 2011, com o valor da indústria de água envasada no mundo chegando a US$86,421.2 milhões. Já em volume, o crescimento previsto até 2011 era de 51%, atingindo o valor de 174.286,60 milhões de litros.



Tabela 3



Em 2006, a Europa, como região, e a Nestlé, como empresa, foram as líderes de vendas, com 52,9% e 23,3%, respectivamente, do mercado mundial. Ainda segundo King, os hiper e supermercados representam 46,2% da distribuição da água envasada no mundo.

As marcas mais vendidas no mundo são Aqua da Danone; Electropura e Aquafina da Pepsi; Cristaline da Castel; e Pure Life da Nestlé. Nesse ranking, a Evian, também da Danone, fica em 9º lugar e a Dasani, da Coca-Cola, em 10º lugar (Tabela 3).

Já o cenário internacional em 2007/2008 não é muito diferente do encontrado em 2004, segundo Richard Hall, da Zenith Internacional, em palestra apresentada no 5º Congresso Mundial de Águas Envasadas, realizado em Eiesbaden, Alemanha, em setembro de 200815.

O consumo mundial em 2007 cresceu 6% em relação a 2006, totalizando 206 bilhões de litros, que representam US$ 100 bilhões. A Nestlé foi a maior empresa, produzindo 12% de toda água envasada do mundo, o que representou 23 bilhões de litros ou US$ 18 bilhões em faturamento. A Danone participou com 18 bilhões de litros, ou seja, 9%, contabilizando US$ 8 bilhões de faturamento. Já a Coca-Cola teve uma participação de 14 bilhões de litros, o que corresponde a 7% do consumo mundial, com um faturamento de US$ 9 bilhões; ao passo que a Pepsi Company faturou US$ 5 bilhões com a produção de 9 bilhões de litros.

Com relação às marcas, a Aqua da Danone foi a mais vendida, alcançando a marca de 5,2 bilhões de litros; seguida da Pure Life da Nestlé, com 4,3 bilhões de litros; e da Aquafine da Pepsi, com 3 bilhões de litros.

Ainda segundo Richard Hall, há uma perspectiva de que o consumo de água envasada no mundo alcance 250 bilhões de litros em 2011. Seguindo essa projeção, o consumo mundial assinalará crescimento de 124% de água envasada, contra 100% de chás, 58% de leites, 36% de refrigerantes, 34% de cerveja e 11% de sucos. É importante destacar que a pesquisa é baseada em todo tipo de água envasada, diferentemente de como é realizada no Brasil, onde só são levadas em consideração as águas minerais e potáveis de mesa.

A pesquisa da Zenith informa também que o segmento que utiliza embalagens descartáveis está assim dividido: águas sem gás, 49%; garrafões, 37%; e águas com gás, 14%. A América Latina é a região que utiliza mais águas envasadas em garrafões (70% da produção da região), seguida pelo Oriente Médio (62%), pela América do Norte (23%) e pela Europa Ocidental (3%).

Segundo a Zenith, os preços médios por litro praticados em 2007 foram na América do Norte 0,61 €, na Europa 0,55 € e na América Latina 0,18 €.

Em 2007, a Europa foi o continente que mais produziu água envasada, representando 23% do total da produção mundial; seguida da América do Norte, com 19%; da Ásia e Austrália juntas, com 26%; da América Latina, com 17%; do Oriente Médio e Europa Oriental, ambos com 7%.

Já em consumo, a América Latina aparece como o terceiro maior consumidor, com 60 litros per capita por ano; atrás da Europa Ocidental, com 115 litros per capita por ano; e da América do Norte, com 108 litros per capita por ano. Por países, a União de Emirados Árabes, com um consumo per capta por ano de 280 litros, está em primeiro lugar; seguida da Itália, com 200 litros; e da República da Malta, com 184 litros. Em seguinda vêm México, Espanha, Alemanha, Bélgica e França.

Segundo a “Beverage Marketing Corporation16", em levantamento preliminar realizado no início de 2009, a América do Norte vai ultrapassar a Europa no consumo de água envasada, ficando com 30,7% do mercado, enquanto a Europa ficará com 30,3%. A Ásia participará com 26,2% do mercado e a América do Sul com 9,3%. Esse levantamento indica um crescimento da participação norte-americana e asiática no mercado mundial desde 2003 e uma retração europeia no mesmo período. Os demais continentes não demonstraram alterações consideráveis.

Rodwan Jr., diretor de editorial da Beverage Marketing Corporation - BMC, em artigo veiculado pela Revista Água e Vida (set./2009), ratifica a alteração de preferências do consumidor norte-americano, que vem diminuindo seu interesse por refrigerantes e aumentando o consumo de água envasada.

Rodwan Jr. informa que de 2000 a 2008 o consumo de refrigerantes caiu 24% e o de água envasada cresceu 15%. A sociedade norte-americana vem considerando a água envasada uma alternativa saudável, segura e prática, o que acabou elevando o consumo para 106 litros/per capta em 2008.

Preocupação com obesidade e diabete, bem como seu consumo ao natural, sem a necessidade de resfriá-la (como ocorre com os refrigerantes e sucos) ou aquecê-la (como ocorre com os chás e café), vêm tornando a água envasada o produto de maior crescimento nesse período (2000-2008).

Pepsi-Cola, Coca-Cola e Nestlé Waters North America realizam frequentemente pesquisas visando a uma boa classificação de seus produtos (água envasada) na categoria sabor, comparativamente às águas de torneira, também muito consumidas pelo povo norte-americano. Ainda segundo Rodwan Jr., a água envasada sem gás consumida nas residências norte-americanas foi responsável por 95,8% do consumo total de água envasada nos EUA.

A partir de 2000, a água envasada, que era tradicionalmente muito consumida na Europa Ocidental, se torna uma bebida global e atinge crescimento significativo em todos os mercados do mundo.

Rodwan Jr. também informa na mesma reportagem que, segundo a estimativa da The Global Bottled Water Market da BMC, a taxa global de consumo cresceu 5,6% em 2008, atingindo uma média de consumo per capita mundial de 29,9 litros. Segundo Rodwan Jr., nos países desenvolvidos a população considera a água envasada uma bebida funcional, além de ser importante na hidratação. Já em países emergentes, a população utiliza-se da água envasada para tentar solucionar o problema da falta de água potável disponível.

Rodwan Jr. esclarece ainda que, em termos de volume de água envasada consumida por país, Estados Unidos da América (16,7%) e México (12,3%) juntos consumiram 29% de toda a água envasada em 2008. A China responde por 9,9%, o que representa 19,68 bilhões de litros; seguida por Brasil17, Indonésia e Alemanha.

Mas, segundo Rodwan Jr., o que mais surpreendeu foi o crescimento de 20% num único ano (2008) da Indonésia em volume de água envasada. A China também registrou uma taxa expressiva de crescimento anual, de 15,6% entre 2003 e 2008.

França (832 bilhões de litros), com retração de 2,9% em 2008; Itália (11,73 bilhões de litros) e Alemanha (10,97 bilhões de litros), com pequeno18 crescimento; e Espanha, com 4,9 bilhões de litros fecham o grupo dos 10 maiores produtores de água envasada do mundo em 2008.

Já quanto à preferência em relação às águas gasosas, o mercado mundial consome apenas 10% desse tipo de água envasada. A população de países como Alemanha, Holanda, Argentina, Chile e Uruguai são as grandes responsáveis pelo consumo de água com gás no mundo. Quanto ao tipo de embalagem, o plástico, liderado pelo PET, domina o mercado, exceto na Alemanha e na Inglaterra, onde o vidro ainda é a embalagem mais utilizada.

Ainda segundo a pesquisa levantada por Rodwan Jr., a população mexicana é a maior consumidora de água envasada no mundo, consumindo em 2008 223,3 litros por habitante, enquanto na Itália são consumidos 204,3 litros por habitante e nos Emirados Árabes Unidos, 151.

Além desses países, estão entre os maiores em consumo per capita Bélgica e Luxemburgo, que consomem 147,6 litros por habitante cada; e França, Alemanha e Espanha, com consumo acima de 133,5 litros por habitante cada. Do continente asiático destaca-se a Tailândia, com consumo de 98,4 litros por habitante; e a China, que, apesar de ter um consumo per capita ainda inexpressivo, 14,7 litros, esse valor corresponde ao dobro do consumo em 2003.

Conclui Rodwan Jr. que o consumo de água envasada vai crescer de forma significativa e, por outro lado, continuará ocorrendo a retração dos refrigerantes.

O mercado mundial futuro da água envasada, previsto pelos especialistas neste relatório, se inclina para um único cenário, no qual as grandes empresas de bebidas sediadas nos Estados Unidos da América, Coca-Cola e Pepsi-Cola, vêm ampliando sua participação no mercado mundial de águas envasadas, não só na América do Norte e Europa Ocidental, mas também nos países emergentes da Europa Oriental, Ásia e América Latina. Estão disputando, assim, com as grandes empresas da área de alimentos e de importante  participação no cenário de água envasada mundial, como Nestlé, com sede na Suíça, e Danone, com sede na França, proprietárias das marcas mais tradicionais e históricas europeias, como Perrier, Evian, San Pelegrini, entre outras.

Além disso, o plástico, através da embalagem PET, vem se firmando na Europa e no restante do mundo como um bom substituto para as tradicionais embalagens de vidro. Apesar dos problemas ambientais e das leis rigorosas de países como Alemanha e Inglaterra, a embalagem com polímeros PET tem alcançado uma grande aceitação do consumidor europeu.

Acredita-se que o crescimento do consumo seja elevado, apesar de menor, na Europa Ocidental, onde inclusive ocorre esporadicamente pequena queda, e maior em países emergentes, como Brasil, China, Tailândia, entre outros.

O México, como maior consumidor per capita de água envasada, pode acenar para um cenário futuro semelhante no Brasil, onde já se instalaram três das gigantes transnacionais do mercado internacional  (Nestlé, Coca-Cola e Danone) e a quarta, Pepsico, já pretende instalar uma fábrica em São Paulo ou na Bahia19 nos próximos anos, onde deverá envasar a água “aquafina”, segunda marca de água envasada mais vendida nos Estados Unidos.

Assim, é prevista uma grande alteração no mercado de água envasada no Brasil a partir de 2010-2011, quando a Danone, com a água Bonafonti; a Nestlé Waters Brasil, incrementando a produção da água Pureza Vital; e a Pepsico, com a possibilidade de entrada no mercado, estarão concorrendo com as demais tradicionais águas envasadas no Brasil, como Minalba, Indaiá, Ouro Fino, Crystal, Schin e todas as demais marcas.

Apesar do crescimento no Brasil, em 2008, da utilização de água mineral na fabricação de refrigerantes, sucos e isotônicos ter alcançado (1,34 milhões de litros) a extraordinária taxa de 48% acima do utilizado em 2007 (901 mil litros), acredita-se que a tendência seja um crescimento cada vez menor até a manutenção de taxas inferiores às taxas de crescimento da produção de água mineral envasada. Uma das situações que podem ser apontadas para esse crescimento surpreendente é a obrigatoriedade de instalações de hidrômetros ligados
diretamente ao Ministério da Fazenda nas instalações que fabricam refrigerantes. Esse procedimento ainda não é executado nas indústrias que envasam água mineral e potável de mesa sem gás.

O Brasil deverá acompanhar a tendência mundial, onde o crescimento do consumo de água envasada é apontado como o maior se comparado com as demais bebidas não alcoólicas. Com uma das maiores reservas de água doce e, especialmente, água subterrânea20 do mundo, o Brasil se mantém em situação privilegiada para atender à demanda futura de água mineral e potável de mesa que por ventura venha a se tornar água envasada.

Vislumbrando um cenário de crescimento de consumo extremamente tímido, 4% ao ano, o brasileiro chegará a 2028 consumindo 66 litros por habitante, o que, sem sombra de dúvida, é muito aquém para uma economia emergente, onde todas as grandes empresas do mercado mundial de água estarão presentes. A perspectiva que se tem é que o Brasil chegue a 2028 como um dos maiores consumidores per capita de água envasada do mundo, ultrapassando o consumo de países consumidores tradicionais de água envasada da Europa Ocidental e disputando com o México a liderança de consumo. Essa perspectiva é pautada nos seguintes fatos:

  1. Elevada disponibilidade hídrica subterrânea.
  2. Crescimento elevado da população.
  3. Todos os grandes líderes na produção de água envasada no mundo já possuem ou estão instalando plantas no Brasil.
  4. Maior consciência da população em relação aos benefícios da água envasada.
  5. Crescimento do consumo de água envasada no mundo mais significativo do que o crescimento das demais bebidas envasadas sem álcool.
 
 

9Informação obtida nas empresas em funcionamento no estado do Rio de Janeiro.
10No caso dos garrafões retornáveis, o palete é preparado diretamente na caçamba do caminhão.
11Decisão Normativa do CONFEA nº 59, de 09/05/1997.
12Agência Nacional de Saúde, ligada ao Ministério de Saúde.
13Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - SENAI.
14O site PR-inside foi acessado em 08/05/2009.
15O site da ABINAMN foi acessado em 20/05/2009.
16O site foi acessado em 03/05/2009.
17 Rodwan Jr. cita o Brasil como o 4º maior produtor do mundo sem, no entanto, citar a fonte. Segundo os últimos dados do Sumário Mineral (2009), a produção do Brasil não chega a 5 bilhões de litros, o que o colocaria como o 10º maior, atrás da Espanha.
18O autor não cita o valor da taxa em seu trabalho.
19O site ADAM foi acessado em 11/11/2009.
20Rebouças, 1999.

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