Quinta-feira, 29 de abril de 2021

Rio Paraguai tende a níveis mínimos e Pantanal enfrenta seca mais cedo em 2021

Período chuvoso marcado por chuvas esparsas e abaixo da média pode ter chegado ao fim

Mesmo no final do período chuvoso, quando se espera registrar recarga hídrica nos mananciais do bioma Pantanal, o rio Paraguai está prestes a entrar novamente na zona de atenção para níveis mínimos no Mato Grosso do Sul. No Mato Grosso, os rios apresentam cotas mínimas históricas, devido às chuvas abaixo da média durante o período de cheia (novembro a abril). A curto prazo, o prognóstico é de que a bacia fique praticamente estável, com pequeno decréscimo nas estações de Ladário (MS) e Porto Murtinho (MS). As informações são do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), representado pelo pesquisador Marcus Suassuna na Sala de Crise do Pantanal, convocada pela Agência Nacional de Águas (ANA) nesta segunda-feira (26). Saiba mais no boletim: http://www.cprm.gov.br/sace/boletins/Paraguai/20210426_07-20210429%20-%20004305.pdf

A estação de monitoramento que o SGB-CPRM utiliza como referência é a de Ladário, porque ela se encontra no centro do Pantanal e tem uma longa série histórica. Nesta semana, o rio Paraguai registrou a cota de 1,79m em Ladário e na cidade vizinha de Corumbá, onde normalmente, nesta época do ano, atinge 3,42 metros. Segundo Marcus Suassuna, esse recuo do rio observado quando a expectativa era de subida é resultado da intensidade da última estação seca e de uma estação chuvosa com precipitações abaixo do normal em 2021. Ele ressalta ainda que com o fim da estação chuvosa a expectativa em relação a recuperação dos rios no Pantanal, que já sofreu com seca severa em 2020, é pouco provável.


Rio Paraguai tende a adentrar zona de atenção nas estações de Ladário e Porto Murtinho “Os municípios de Cáceres (MT) e Cuiabá (MT) apresentaram recordes mínimos de precipitação em praticamente todos os dias do ano até agora, o que pode ser a origem da escassez hídrica que se apresenta. No limite sul da bacia, os níveis dos rios estão numa faixa de normalidade para baixo. As maiores anomalias negativas de chuva e de vazão estão no limite norte”, informa o pesquisador.

A condição observada atualmente na estação de Ladário é bastante próxima do que foi observado nos anos de 1972, 1910 e 2020. Caso os níveis em 2021 mantenham-se próximos desses anos, é provável que o nível do rio em Ladário aproxime-se do zero da régua de Ladário, a exemplo do que ocorreu no ano passado, e que persista por meses abaixo da cota de 1,50 metro, a partir da qual a Marinha do Brasil passa a adotar restrições à navegação, de acordo com o Comando do 6º Distrito Naval da Marinha do Brasil.


Gráfico do Serviço Geológico do Brasil com o monitoramento da vazante do rio Paraguai em Ladário Em Mato Grosso do Sul, o governo resolveu decretar situação de emergência ambiental, nos próximos dias. Conforme o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Jaime Verruck, a medida se deve ao indicativo de seca em praticamente todos os municípios sul-mato-grossenses ao longo de 2021.

Também como medida preventiva, outra ação a ser adotada é a antecipação dos embarques de minérios e de grãos para exportação a fim de evitar que o transporte de mercadorias seja feito no período de estiagem, quando os níveis devem estar mais rasos, ocasionando possíveis problemas de navegação na Hidrovia Paraguai-Paraná.



Mapa indica situação das estações de monitoramento na bacia do Paraguai De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a precipitação dos últimos três meses na bacia do alto Paraguai foi abaixo da climatologia para a região. Em fevereiro de 2021, o registro foi de 120 mm abaixo da climatologia para o mês. Somente no mês de janeiro foram registradas chuvas acima da média. As chuvas também foram abaixo da média durante o mês de abril. Por outro lado, são poucos os focos de queimada na região do Pantanal até agora em 2021 - cerca de 80, em abril.

A estação chuvosa na região do Pantanal encerrou precocemente no final de março, conforme o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Em comparação com a série histórica, apenas no oeste do Mato Grosso as chuvas ficaram acima da média. De acordo com índice padronizado de chuva pelo menos nos últimos 24 meses, o estado do Mato Grosso do Sul vivencia uma seca do ponto de vista pluviométrico e meteorológico Para os próximos 7 dias, a tendência é de que não ocorram chuvas significativas.



Janis Morais
Bettina Gehm
Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM)
Ministério de Minas e Energia
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