Segunda-feira, 26 de julho de 2021

Serviço Geológico do Brasil recebe equipamentos para ampliar a rede de monitoramento isotópico das chuvas

Em parceria com a Agência Internacional de Energia Atômica, com instalação de mais 06 coletores para monitoramento isotópico, o programa contará com 17 estações instaladas em todo o país

Pesquisadores Andrea Franzini e Roberto Kirchheim receberam as estações GNIP vindas da Croácia, compradas pela AIEA para o SGB-CPRM No dia 12 de julho, o Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM) recebeu seis estações coletoras de água de chuva para monitoramento isotópico, denominadas tecnicamente de Estações GNIP, como doação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no âmbito do Programa de Aplicações Isotópicas na Hidrologia. A doação vai permitir a ampliação da rede de monitoramento isotópico de chuvas, reinaugurada pelo SGB-CPRM em 2018/2019. Usa-se o termo reinauguração pois o Brasil contava com uma rede operante entre 1960 e 1990, quando foi interrompida.

As estações serão instaladas em locais já definidos e serão usadas para expandir a rede de monitoramento isotópico de chuva, que tem conexão direta com a rede GNIP mundial. Até então, a rede era composta por 11 Estações GNIP operadas pelo SGB-CPRM e outras três estações manipuladas diretamente por universidades parceiras. Os dados antigos das estações anteriores continuam válidos e estão disponíveis no banco de dados da AIEA , que pode ser livremente acessado. Os novos dados gerados pelo SGB-CPRM e AIEA irão integrar os bancos de dados da rede mundial, assim como estarão disponíveis em âmbito nacional.

Rede GNIP nacional, incluindo as localidades referentes às novas instalações GNIP (programadas para acontecer em 2021) A assinatura da água
Roberto Kirchheim é um dos pesquisadores do SGB-CPRM que receberam as novas estações na empresa. Ele explica que os átomos de hidrogênio e oxigênio, que compõem a molécula da água, possuem isótopos: átomos de um mesmo elemento químico com igual número de prótons, porém com distintos números de nêutrons em seu núcleo, resultando em massas atômicas diferentes. A molécula de água é formada por diferentes proporções dos isótopos de hidrogênio e oxigênio, variações que trazem embutidas informações importantes sobre origem e dinâmica da água e sua trajetória. “Resumindo, os isótopos da água revelam informações sobre o ciclo hidrológico”, afirma Roberto.

Ou seja, a água possui uma “assinatura isotópica” única, associada aos processos de fracionamento que se promovem nas mudanças de estado físico da água. Por isso, os isótopos da água ajudam a compreender o ciclo hidrológico a partir de uma visão mais sistêmica, incluindo as suas relações com o clima.

Roberto Kirchheim explica ainda que é possível verificar a origem da umidade que gera a chuva em uma determinada região e inferir a respeito dos mecanismos preponderantes de chuvas que geram recarga efetiva em aquíferos regionais. “Também podemos determinar as condições paleoclimáticas pretéritas no instante das recargas, e determinar se as recargas estão associadas às chuvas e ou alguma outra fonte de água”, diz o pesquisador.

As assinaturas isotópicas da chuva coletadas pelas estações GNIP, assim como as variações mensais, sazonais e anuais de precipitação são usadas para calibrar modelos climatológicos, hidrológicos e hidrogeológicos. Os isótopos da água possibilitam, também, compreender a movimentação da água nos aquíferos e a complementar informações hidrogeológicas que podem ser inferidas a partir da observação, como a concentração de elementos dissolvidos na água.

Técnico do SGB-CPRM realiza a coleta mensal na estação GNIP de Juazeiro do Norte (CE) sob a supervisão do pesquisador Idembergue Macedo de Moura. A utilização de isótopos ambientais em estudos hidrológicos no Brasil teve início no final da década de 1970. Inicialmente, o foco dos estudos foi a região semiárida Nordestina. A motivação central era entender os processos de salinização, os mecanismos de recarga e as idades das águas subterrâneas nestas áreas semiáridas e densamente povoadas. Logo em seguida, os estudos concentraram-se na região Amazônica e, finalmente, na região Sudeste.

A operação das estações GNIP é realizada por equipes técnicas do SGB-CPRM. Vale ressaltar que estas equipes mantiveram as coletas de chuva durante a pandemia. As amostras coletadas vêm sendo enviadas para os laboratórios isotópicos da AIEA em Viena, Áustria. A expectativa é contar com os resultados das análises em setembro de 2021: segundo a pesquisadora Andrea Franzini, existe a possibilidade de oferecer à comunidade científica nacional e mundial as informações isotópicas referentes a dois anos.

O SGB-CPRM está em tratativas avançadas com a AIEA para formalmente ser reconhecido como um centro colaborativo da Agência para a difusão nacional e continental de práticas isotópicas na hidrologia. A operação da rede GNIP no país é apenas uma das componentes deste programa. O processo de nacionalização dos equipamentos foi conduzido pela Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial do SGB-CPRM com o apoio da Diretoria de Administração e Finanças da superintendência de Brasília da empresa.

O Programa de Aplicações Isotópicas na Hidrologia, conduzido pelo Serviço Geológico do Brasil, apoia e complementa os demais projetos operacionais da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial da empresa. O objetivo do Programa é de assimilar, testar, desenvolver e difundir as aplicações isotópicas na hidrologia como uma ferramenta de apoio à gestão de recursos hídricos no País.


Janis Morais
Bettina Gehm

Assessoria de Comunicação
Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM)
imprensa@cprm.gov.br



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