Sexta-feira, 03 de agosto de 2018

Serviço Geológico entrega relatório e sugere novos estudos no Bairro Pinheiro em Maceió

 Pesquisadores percorreram o bairro  coletando  dados  e evidências

O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) encaminhou à Prefeitura de Maceió o relatório técnico elaborado a partir do último levantamento realizado no bairro que busca identificar as causas do surgimento de fissuras na região do Pinheiro, em junho. O relatório foi apresentado pelo geólogo Thales Sampaio, que representou o diretor de Hidrologia e Gestão Territorial, Antônio Carlos Bacelar.  

Sampaio explicou as recomendações do relatório à gestão municipal, que indica a necessidade de levantamentos mais aprofundados, com sugestões de estudos detalhados de geologia, geofísica e hidrogeológia. “É importante  enfatizar que para o entendimento e elucidação das possíveis causas é necessário uma interpretação sistêmica e integrada de todas as dimensões propostas nos estudos”.

O relatório é decorrente do plano alinhado pelo grupo de trabalho criado em Brasília com a participação de órgãos do governo federal e prefeitura. O documento traz informações técnicas de acordo com o levantamento realizado entre os dias 19 e 25 de junho, período em que uma equipe da CPRM coletou evidências nas vias públicas e edificações, levando em consideração também o relato de moradores.

Os levantamentos realizados em campo e a integração dos dados permitiram a caracterização de três graus de intensidade das fissuras, considerando a quantidade, a abertura e a persistência nos locais mapeados. O relatório enfatiza que ainda não é possível identificar e caracterizar o processo causador do fenômeno, por isso, a sugestão de novos estudos.

O documento esclarece também que, conforme depoimentos colhidos dos moradores, a existência dos indícios de instabilidade é muito anterior ao abalo sísmico ocorrido no dia 3 de março deste ano. Nesse sentido, há o registro de ocorrência de fissuras em um período entre cinco e dez anos.

 O titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Semds), da qual faz parte a Defesa Civil de Maceió, Gustavo Acioli Torres explica que o relatório sugere que Prefeitura continue com o monitoramento por meio da instalação de réguas, além de recomendar o levantamento de dados técnicos. O objetivo, segundo justifica o relatório, é acompanhar se houve ou não evolução do processo nas diferentes regiões do Pinheiro, algo que já vem sendo realizado pela equipe da Defesa Civil em contato com os moradores do bairro.

“O suporte do Serviço Geológico do Brasil é crucial neste trabalho para que, conjuntamente, possamos chegar a uma conclusão sobre o que de fato acontece no Pinheiro. É uma situação que, sem este apoio, nenhuma cidade brasileira teria condições de buscar esclarecimentos, em razão da insuficiência de instrumental técnico e de equipamentos, levando em consideração a complexidade do fenômeno”, comenta o secretário.

O secretário adjunto da Defesa Civil Municipal, Dinário Lemos, afirma que o grupo de trabalho criado para monitorar o bairro do Pinheiro segue mobilizado. “Mantemos o monitoramento constante da área. Estamos trabalhando de forma integrada com órgãos do governo federal e, nas próximas semanas, iremos a Brasília para que possamos alinhar as próximas etapas”, informa.

O documento destaca a qualidade técnica do trabalho desenvolvido pela Defesa Civil Municipal e propõe a ampliação e reestruturação do órgão, com suporte da Defesa Civil Nacional, para aperfeiçoar o monitoramento de dados. Além disso, também recomenda a implantação de núcleos comunitários para facilitar a comunicação entre a população e a gestão municipal e um levantamento de vulnerabilidade social da população da área afetada.

 Em relação ao estudo geofísico sugerido no relatório, o Serviço Geológico explica que este método de pesquisa tem a finalidade de investigar possíveis estruturas em subsuperfícies que possam ter influência na desestabilização do terreno. Sobre o estudo hidrogeológico, o relatório aponta que o intuito é entender as características do aquífero existente na região e suas possíveis influências no processo.

Os dois estudos exigem corpo técnico especializado e equipamentos, cuja viabilidade de recursos e pessoal necessário à execução será discutida nas próximas semanas em Brasília com representantes da Prefeitura, ministérios da Integração Nacional e das Cidades.

 

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