Avaliação da Potencialidade Mineral de Granulados Marinhos do Litoral do Brasil


Objetivo e Justificativas

O objetivo do projeto é adquirir informações que possibilitem a localização e caracterização de depósitos minerais relacionados à plataforma carbonática do Grupo Bambuí, com vistas a caracterizar a potencialidade para insumos para uso na agricultura, destacando-se os calcários, dolomitos e mineralizações fosfáticas. As justificativas para execução do projeto residem na presença de importante fronteira agrícola dos estados de Goiás, Tocantins e Bahia, próxima à área do projeto. A despeito de possuir enormes reservas de rochas carbonáticas pertencentes à plataforma do Grupo Bambuí, a região sudeste do Tocantins se caracteriza por apresentar um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano do Brasil. Do ponto de vista técnico, a área possui ambientes geológicos e metalogenéticos promissores à caracterização de depósitos de rochas carbonáticas, representadas pela presença do Grupo Bambuí, as quais constituem matéria-prima para corretivos de solos. Acrescenta-se a presença de anomalias geoquímicas e a ocorrência de fosforitos (P2O5) no extremo sul da área, no município de Monte Alegre de Goiás, onde foram detectados teores de até 29% de P2O5, e de uma pequena jazida de fosfato em explotação, no município de Arraias.

Com a consolidação da fronteira agrícola em que se transformou o oeste da Bahia (divisa com o Tocantins) e com a necessidade cada vez maior de insumos minerais para a agricultura (fertilizantes e corretivos), em função da premência do aumento dos índices de produtividade impulsionados por um mercado global cada vez mais exigente e competitivo, as jazidas de rochas carbonáticas que margeiam os chapadões do Urucuia, onde existem grandes campos de soja e milho, adquiriram uma importância estratégica. Tais fatores justificam a implantação do projeto, que complementarmente tem como objetivo a caracterização das rochas carbonáticas para outras finalidades, tais como: indústria de cimento, ração animal, siderurgia, metalurgia, saneamento, entre outras.


Localização e Acesso

A área a ser investigada perfaz cerca de 8000 km², situa-se na porção sudeste do estado do Tocantins e abrange os municípios de Novo Alegre, Combinado, Arraias, Aurora do Tocantins, Taquatinga, Ponte Alta do Bom Jesus e Dianópolis. O acesso pode ser feito a partir de Brasília, através da rodovia que liga São João D'Aliança, Alto Paraíso e Campos Belos (GO) até a cidade de Arraias (TO), no extremo sul da área, em um percurso de aproximadamente 400 km. Ou a partir de Palmas, através da estrada que liga as cidades de Porto Nacional, Dianópolis, Ponte Alta, Taguatinga e Aurora do Tocantins, no centro da área, em um percurso de aproximadamente 600 km.

Rochas Carbonáticas do Grupo Bambuí na Região NE de Goiás e SE de Tocantins

Geologia Regional

Nesta área destacam-se os sedimentos carbonáticos e terrígenos do Grupo Bambuí, constituindo uma cobertura cratogênica de idade neoproterozoica. É representado na base pela Formação Sete Lagoas, constituída por espessos pacotes de pelitos, calcários e dolomitos, contendo localmente estruturas algais estromatolíticas, sobrepostos por folhelhos e siltitos laminados da Formação Serra de Santa Helena. Este conjunto carbonático-terrígeno é sobreposto por calcarenitos pretos e margas, ricos em matéria orgânica da Formação Lagoa do Jacaré, que constituem as partes mais elevadas das serras. Sobrepostos ao Grupo Bambuí por discordância errosiva ocorrem os sedimentos cretácicos da Formação Urucuia.


Resultados Esperados

Espera-se estabelecer controles estratigráficos, faciológicos, texturais e estruturais das rochas associadas ao Grupo Bambuí, além de definir os níveis ricos em fósforo nos sedimentos pelito-carbonáticos desta unidade geológica. Adicionalmente, espera-se caracterizar as rochas do Grupo Bambuí objetivando outras utilizações, como por exemplo para a indústria cimenteira e para ração animal.


Referências Bibliográficas

BRASIL, Ministério de Minas e Energia, 1987. Mapa Geológico do Estado de Goiás. Goiânia, DNPM, 1:1.000000.

MAGALHÃES, L.F., 1977. Projeto Bambuí: região de Cabeceiras - geologia e prospecção geoquímica. Goiânia, 44p.

MAGALHÃES, L.F., 1979. Projeto Bambuí: região da Fazenda Covanca - geologia e geoquímica de semi-detalhe. Goiânia, 74 p.

METAIS DE GOIÁS, 1981. Projeto Campos Belos, relatórios finais de pesquisa, DNPM 807291/77, alvará 5047/78. Goiânia, Metago.

METAIS DE GOIÁS, 1979. Fosforitos de Campos Belos, relatório final, alvará 2005/2106/2116/2117/2118. Goiânia, Metago.

RIBEIRO, P.S.E., 1998. Relatório de viagem de reconhecimento do Grupo Bambuí no estado do Tocantins, Programa Insumos Minerais para Agricultura - PIMA. CPRM, Relatório Interno, Goiânia.

Sá, C.M.G., Marcondes, A., 1985. Calcário para corretivos de solo em Goiás: diagnóstico e alternativas para abastecimento. Goiânia, Metago, 93p.
Sintoni, A.; Valverde, F.M.; 1978. Rochas calcárias nos estados de São Paulo e Paraná. DNPM, Brasília (Estudos Especiais, bol. 45), 131p.


Execução do Projeto

Superintendência Regional de Goiânia

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